Pai de uma criança de sete meses, o advogado Rafael Rossi Ramos já comprou o uniforme completo do Flamengo para o bebê e planeja levá-lo a jogos do time no estádio, além de ensiná-lo a gostar de ver e comentar partidas de futebol na televisão.
Os planos, mais comuns entre pais de meninos, nesse caso envolvem a pequena Isabela, primeira filha de Rafael e da advogada Viviane Pomini Ramos. A atitude nada machista é cada vez mais comum entre os pais de garotas. Obrigados a se aprofundarem no universo feminino por causa da paternidade, eles mergulham no mundo de bonecas, fitas e acessórios cor-de-rosa para se aproximarem das filhas. E preocupam-se com a chegada à adolescência, a conquista da independência e os primeiros namorados.
''A gente sempre acha que as filhas nunca deixarão de ser pequenas'', sentencia Rafael, que apesar dos planos que incluem futebol e Fórmula 1, também está preparado para brincar de boneca e maquiagem. ''Com certeza vou deixar ela me maquiar'', diz.
Brincar com bonecas Barbie é apenas uma das várias habilidades adquiridas pelo empresário Emerson Bernini após a paternidade. Pai de Emille, 10 anos, e das gêmeas Laura e Lívia, de 6 anos, ele conta que nunca se imaginou pai de três garotas. ''Eu achava que teria apenas um filho ou filha, nunca pensei que teria tanta mulher na minha vida'', comenta o marido da também empresária Valéria Comte Bernini.
Vindo de uma família de três irmãos homens, ele aprendeu com as filhas a dar banho, pentear cabelos, preparar mamadeiras e viver no meio de amarradores, presilhas, tiaras, perfumes e brilhos labiais.
Outra consequência da vida cercada por garotas é a proximidade e a união da família. ''Os meninos são mais soltos, já as meninas solicitam mais a presença dos pais'', acredita, lembrando que elas são extremamente carinhosas e atenciosas. ''Não tive irmãs, e minha mãe não era do tipo carinhosa. Minhas filhas me fazem voltar no tempo e resgatar o sentimento de carinho'', confessa.
Estreante na função de pai de menina, o empresário Fábio Okudo torcia por uma garoto quando sua esposa, a estudante de psicologia Ana Paula Correia Pereira Okubo, engravidou de Isabela Tiemi, hoje com oito meses. ''Mas logo mudei de idéia, porque as meninas são muito encantadoras. A Isabela é um 'grude' comigo'', orgulha-se.
Fábio acredita que o nascimento da filha despertou nele um sentimento de proteção. ''As meninas são mais delicadas'', defende o empresário, que já começou a preocupar-se com os possíveis gastos com roupas e salão de beleza. As despesas, porém, fazem parte apenas das menores preocupações com o futuro de isabela. ''Acredito que a gente deva mudar a sociedade para que nossos filhos vivam num mundo melhor. E isso independe do sexo das crianças.''

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