As horas passam sem que sejam percebidas. A mente se distrai misturada a uma sensação prazerosa, e o resultado final é sempre uma obra de arte que será exibida em casa ou que poderá render até um dinheiro extra.
Baseadas nestas características, mulheres de todas as idades estão cada vez mais buscando no artesanato um hobby, pois a arte de trabalhar com as mãos e principalmente, com a criatividade, acaba fazendo da prática um ótimo passatempo.
E quem acaba lucrando também é o mercado de produtos e cursos especializados. Prova disso é o aumento significativo de mulheres interessadas em aprender diferentes técnicas artesanais. ''Estamos com cerca de 70 alunas e ainda temos uma lista grande de espera'', conta Maria Ohara Barboza, professora e proprietária da escola Oficina de Retalhos, junto com Zélia Gomes dos Santos e Rose Petrus.
Há mais de três anos, o trio vêm se especializando nas técnicas de Patchwork (pedaços de tecidos costurados a mão ou a máquina, que formam desenhos geométricos) e de quilt (trabalho têxtil formado por três camadas sobrepostas, criando uma espécie de acolchoado).
De tão delicadas e coloridas, as peças conquistam pela beleza de suas composições. E é justamente essa infinitude de possibilidades criativas que muitas pessoas estão cada vez mais interessadas em aprender.
''As alunas chegam aqui, atraídas pelo valor do trabalho, pela beleza dos materiais e, acima de tudo, para ocupar o tempo ocioso. Algumas vêm até por indicação de terapeutas, pois é um trabalho muito estimulante'', observa Rose.
As professoras explicam que os belos resultados são provenientes da somatória de dois fatores indispensáveis: a criatividade e o esmero na hora de dar acabamento. ''Nossos cursos incluem noções básicas da história de patchwork, quilt, técnicas tradicionais e contemporâneas, criação e execução de projetos e até estudo de cores'', ressalta Maria.

Prazer em pequenos detalhes
Com destreza de sobra para trabalhar com pedacinhos de pano e peças em miniatura, Tereza Pinheiro, de 63 anos, revela um talento descoberto tardiamente. O orgulho da dona de casa fica claramente estampado quando ela mostra suas obras de arte.
Empenhada em deixar os mínimos detalhes em perfeita harmonia, Terezinha, como é carinhosamente chamada, dedica até quatro horas diárias à tarefa de construir cenários em miniatura.
''Eu não imaginava que tinha este talento. Quando percebi que precisava ocupar meu tempo, procurei por cursos de artesanato. O resultado é alegria, prazer e um dinheirinho extra'', conta ela, que recebe muitas encomendas para presentear, principalmente, mamães grávidas. ''A decoração infantil agrada e deixa qualquer ambiente mais bonito e alegre'', justifica.
A prática, porém, também merece dedicação exclusiva. Segundo Terezinha, ao sair para a rua, seus olhos estão sempre voltados à alguma ideia que possa render um cenário e atentos às novidades em materiais.

Tempo preenchido com dedicação
A ausência do marido, que trabalha na Amazônia, e a 'aposentadoria' das aulas de balé foram preenchidas por cabides na casa de Rosa Maria Samartano Carneiro, de 65 anos.
Há um ano e meio, a rotina de Rosa foi ocupada, ou como ela mesmo define, dedicada à arte de personalizar cabides de madeira. ''Tudo começou pela falta de cabides em casa. Comprei muitos deles e forrei para que não marcassem as roupas. Na mesma hora, tive a ideia de deixá-los mais bonitos. Não deu outra. Depois de um tempo, já estava mostrando os modelos para as amigas'', revela ela, que vende kits com três peças.
A partir de materiais simples como tecidos, espumas, fitas de cetim e plumantes, o acessório, que é indispensável em qualquer guarda-roupa, ganha contornos macios e uma beleza caprichosa nas mãos de Rosa.
''Na hora em que estou trabalhando nos cabides, esqueço da vida. Por mim, eu dedicava o dia inteiro a eles'', conta a artesã.

Da curiosidade à paixão
Trabalho e estudos ocupam praticamente o dia inteiro da musicista Cynthia Dantas, de 25 anos. É por isso que nas horas de folga, ao invés de descansar o corpo, ela prefere trabalhar com colas, tintas e caixas em MDF, pois considera o artesanato sua terapia.
''Virou uma diversão em casa. Muitas vezes, preferimos ficar em casa fazendo artesanato ao invés de sair, pois descobrimos um jeito prazeroso para desestressar'', diz ela, que entre uma arte e outra ensina algumas técnicas de decoupagem e craquelê ao marido.
Ela conta que sempre admirou os trabalhos manuais e, que por curiosidade, procurou um curso para aprender. Ela garante que foi amor à primeira vista, no caso, à primeira pincelada. ''Hoje já penso em vender e garantir uma renda extra, pois os pedidos de encomenda já estão surgindo'', revela, orgulhosa.
Mesmo frequentando as aulas há apenas três meses, Cynthia já sabe o quanto é importante dedicar-se com paixão. ''Para criar, é preciso buscar sempre uma proximidade da perfeição, pois qualquer peça pode ficar bonita, mas o que faz toda diferença é o capricho no acabamento'', diz.

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