Numa época em que as mulheres precisam se desdobrar para cuidar da casa e da carreira, os conflitos no lar são cada vez mais frequentes. Com a vida profissional consolidada, essas mulheres contemporâneas têm pouco espaço para a educação dos filhos. ''Eu sou muito curiosa e envolvida. Quando soube que estava grávida, me joguei de cabeça na maternidade e passei a ler tudo o que se relacionava à realidade das mães que trabalham fora e ainda criam seus filhos'', conta a jornalista e escritora Inês de Castro, autora do livro ''Mamãe vai trabalhar e já volta'' (Editora Original, 184 págs.). A obra, segundo a autora, é uma reflexão sobre como as mulheres estão dividindo o pouco tempo que têm para dedicar a devida atenção à família e ao trabalho.
Na opinião de Inês, as mulheres estão conduzindo mal a maternidade, mas podem reverter o quadro, reorganizando seus horários e suas prioridades. ''Este não é um livro de auto-ajuda, mas pretende levar as mães que trabalham à reflexão sobre a dedicação que destinam hoje para a maternidade'', explica.
O livro está calcado basicamente em experiências pessoais da própria autora. Ela conta o quanto sua vida mudou a partir do momento em que deu à luz. De acordo com Inês, todas as suas prioridades mudaram - incluindo a sua disponibilidade para trabalhar. A escritora diz que, antes de ser mãe, o trabalho era colocado em primeiro lugar, o que a consumia por mais de 12 horas por dia. Mas, depois do primeiro filho, percebeu que esta rotina não cabia mais na sua realidade.
A maternidade, para ela, não significa parar de trabalhar. Mas é preciso remanejar a rotina para que seja dada a devida atenção aos filhos. Inês ressalta ainda que, hoje, as mulheres têm a opção de ter ou não filhos e, por isso, devem pensar se estão preparadas. ''É muito fácil entregar o bebê para a enfermeira ou para a babá. O problema são as consequências que isso traz para as crianças.''
Responsabilidades Atualmente, muitas mães sequer acompanham seus filhos ao pediatra. Isso é um sinal de que as responsabilidades dos pais estão sendo postas à prova, já que nem o cuidado com a saúde dos pequenos eles estão gerenciando. Inês acredita que falta reflexão por parte das mães que são engolidas pelo turbilhão do dia-a-dia. ''É preciso se perguntar todos os dias se as concessões que fazemos valem à pena. Às vezes abrimos mão de estarmos com nossos filhos para sermos consumidos por empregos que nem sempre suprem as nossas necessidades como pessoas. É uma reflexão individual, mas que deve ser permanente'', declara.
Dentre os principais conflitos dessas mães está a dualidade do distanciamento físico - trabalham longe de suas casas e não podem cuidar de seus filhos enquanto trabalham - e o desconhecimento de quem são seus pequenos. ''Hoje em dia, as crianças crescem muito rápido e a independência também se dá precocemente. Muitas vezes, as mães não conseguem acompanhar este processo. Quando param para ver seus filhos, não os reconhecem mais, porque, em muitos casos, a educação foge do controle'', frisa.
A autora avalia que falta tempo suficiente para acompanhar o crescimento e a formação dessas crianças. ''Existem casos de mães que não conseguem nem ao menos sentar à mesa para comer com seus filhos. Tudo isso traz frustração e culpa para essas mulheres, que se vêem num labirinto do qual não conseguem se desvencilhar.''
Inês ressalta que muitos dos problemas apontados em seu livro podem ser resolvidos com uma organização de tempo. ''Há de mães que vão para casa e não deixam de pensar no trabalho e quando estão trabalhando não tiram os filhos da cabeça. Neste caso, é preciso organizar melhor o tempo, para conseguir vivenciar cada coisa. Caso contrário, o quadro de insatisfação se instala na rotina desses pais.''
Outro ponto abordado pela escritora é a partilha da vida profissional que as mães precisam ter com seus filhos. ''É importante que as mães expliquem para as crianças que elas trabalham para sua realização pessoal e não só para ganhar dinheiro, porque, assim, as crianças já crescem com valores mais bem definidos sobre o que o trabalho significa'', conclui.
A autora Inês de Castro é jornalista, colunista de rádio e escritora. Apesar de ter uma carreira bem-sucedida - e muito atribulada -, ela aprendeu a dividir seu tempo para dedicar-se ao filho, que hoje tem oito anos. A autora já passou por importantes veículos de comunicação, trabalhando mais de doze horas por dia. Mas, desde que seu filho nasceu, suas prioridades mudaram: aprendeu a adequar a profissão para dar a devida atenção ao filho. ''Disso eu não abro mão'', afirma.

mockup