Mamãe também é mulher
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quinta-feira, 05 de maio de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Toda mãe diz que ter um filho é a melhor experiência da vida de uma mulher. A sensação de gerar um filho, o momento do nascimento, os cuidados e o elo que a une ao bebê são sensações que jamais serão esquecidas. Nem mesmo todos os problemas, medos e riscos que envolvem essa decisão fazem diminuir o sonho de ser mãe.
No início são os enjôos, o inchaço, o ganho de peso e a preocupação com o parto. Depois vêm as noites maldormidas, as fraldas, o choro, as cólicas. Mas é com o parceiro que muitas mulheres encontram outro grande problema. Com a chegada de um bebê, muitas vezes a vida sexual e o relacionamento com o marido mudam. ''Principalmente para as mães de primeira viagem. Lidar com filho, marido e ainda manter com relacionamento amoroso estável se torna algo confuso e difícil'', diz a psicóloga Simone Oliani.
Segundo ela, existem várias razões para o esfriamento da relação homem-mulher depois do nascimento do primeiro filho. Uma delas é a mudança na rotina do casal. ''A mãe, e algumas vezes o pai também, passa a dormir mal por causa das mamadas, das fraldas, do choro. Isso faz com que os dois se sintam muito cansados para namorar nos primeiros meses de vida do bebê. A preocupação com o filho também não permite ao casal, em especial a mãe, relaxar e aproveitar um momento a dois. Isso sem falar na depressão pós-parto, que é bastante comum e muda muito o comportamento da mulher. Nesses casos, é importante buscar ajuda especializada'', diz.
A aparência Outra complicação para retomar a vida sexual é a questão física. Com as mudanças ocorridas no corpo da mulher, ela se sente gorda e pouco atraente para o parceiro. ''Existe um tempo que cada mulher deve esperar para voltar a ter relação, que varia de caso para caso, dependendo do tipo de parto (normal ou cesária). Mas a queixa mais comum que eu ouço no consultório é com relação à forma física. As mulheres se sentem feias porque a barriga está flácida, o seio está dolorido e grande demais, o peso não é mais o mesmo. Isso as deixa inibidas para se relacionar com o marido. E as que passaram por parto normal têm medo de que a penetreção possa causar dor'', afirma Simone.
Muitas mães também se preocupam com o risco de uma nova gravidez, uma vez que os anticoncepcionais estão proibidos por causa da amamentação. ''Para esse problema a melhor opção é usar camisinha que,além de evitar uma outra gestação, também ajuda na penetração por causa dos lubrificantes que ela contém'', lembra a psicóloga.
Para evitar que o casamento afunde, a especialista diz que os casais precisam se esforçar para recuperar a relação. ''A mulher tem de lembrar que ela não pode só se preocupar com o filho, mas deve dar atenção para o marido também, que muitas vezes se sente em segundo plano. Por sua vez, o marido é fundamental para ajudá-la a eliminar os medos que a mulher esteja sentindo. Ajudar a cuidar do bebê evita que a mãe esteja sempre cansada; carinhos são sempre importantes. O homem deve elogiar a mulher e entender que a recusa de relacionamento sexual nas primeiras semanas é normal'', ensina.
Dicas Em termos práticos, Simone aponta certas atitudes, comuns em muitos casais, que podem acabar com o desejo. ''Os dois devem entender que a maternidade e a paternidade devem ser com relação ao filho. Essa coisa de chamar o outro de 'pai' ou 'mãe' não é legal. É importante manter os apelidos carinhosos de antes. Outro erro é colocar o bebê para dormir no quarto do casal. Nas primeiras duas semanas, tudo bem. Mas depois a criança deve dormir no seu quarto. Na cama do casal então, não deve dormir nunca. Isso acaba com a possibilidade de haver uma relação.''
Para os primeiros dias, quando a mulher realmente não pode manter relações por motivos de resguardo, a psicóloga aconselha os casais a buscarem outras maneiras de carinho. ''O mais importante é manter a sensualidade, já que a sexualidade não pode acontecer. Beijos e abraços também são parte importante do relacionamento. E por último, não entrar em pânico. O desejo vai voltando aos poucos e sempre existem profissionais para ajudar nos casos mais graves.''


