Ser mãe é o sonho da maioria das mulheres, mas com o grande número de prioridades da vida moderna, esse sonho está sendo mais adiado. Antes da maternidade vem a faculdade, a carreira, a compra de bens como apartamento e carro, viagens. O exemplo de mulheres famosas, como Madonna, Xuxa e Cássia Kiss, que engravidaram depois dos 35 anos, e casos raros como o da romena Adriana Iliescu, que deu à luz uma menina por inseminação in vitro aos 67 anos, e da agricultora brasileira Maria Quitéria da Silva, que teve seu quarto filho aos 65, animam aquelas que pretendem adiar a vinda dos filhos.
Segundo o ginecologista e especialista em reprodução humana Renato Koike, a presença de mulheres com mais de 35 anos no consultório tem aumentado. ''Antes tínhamos poucas pacientes nessa idade. A maioria tinha mais de 40 anos, e eram mulheres que já tinham tentado de tudo e estavam desesperadas. Hoje as técnicas de reprodução estão mais acessíveis. Essa facilidade faz com que as mulheres deixem a maternidade para mais tarde'', afirma.
Para ele, é difícil dizer qual a época ideal para que um casal resolva ter filhos. ''Essas coisas a gente não consegue determinar com certeza. É claro que do ponto de vista biológico, a melhor idade para a mulher é antes dos 35 anos, mas o casal precisa se sentir preparado para a responsabilidade de criar uma criança. É preciso levar em conta a questão sócio-psicológica também'', diz. Para a mulher, o problema está no número de óvulos, que são definidos desde quando ela nasce e não se reproduzem, como no homem. ''Os óvulos também envelhecem e isso dificulta a gravidez, oferecendo riscos para a mãe e para o bebê de uma gestação tardia'', alerta.
Perigos O problema mais comum nessa faixa etária é o desenvolvimento da Síndrome de Down na criança. ''Quanto mais velho o óvulo, maiores as chances de surgir a doença. A solução nesses casos seria o uso de ácido fólico, uma vitamina que diminui os riscos de Down. Mas ela só diminui, não anula os riscos'', avisa. Além da síndrome, outras complicações são típicas da gestação após os 35 anos: hipertensão, diabetes, pré-eclâmpsia, parto prematuro. ''Também existem chances maiores de se contrair doenças sexualmente transmissíveis, por causa do tempo de vida sexual, e de complicações como distúrbios hormonais, miomas, problemas no útero. O envelhecimento do homem também deve ser levado em conta, pois ele terá fumado e bebido mais e, com isso, comprometido a qualidade dos espermatozóides.''
Ainda assim, o especialista garante que poucas mulheres necessitam realmente de tratamento para engravidar. Pesquisas apontam que 30% delas têm problemas, mas apenas 10% vão precisar de ajuda médica. ''Para se ter uma idéia de que realmente é necessário procurar um médico basta observar o tempo em que a mulher está tentando engravidar. As chances de se obter sucesso em um mês são de 20% apenas. Já depois de um ano de tentativas, as chances são de 95%. Portanto, se depois de um ano tentando engravidar o casal não conseguiu, é hora de buscar ajuda'', explica.
Tratamentos Os tratamentos variam para cada caso, de acordo com o problema de cada mulher, e podem compreender desde o uso de medicamentos e injeções até cirurgias e fertilização in vitro. ''O índice de sucesso nos tratamentos que englobam todas as técnicas necessárias é de 70% dos casos. O Brasil é o melhor país da América Latina em reprodução humana. A chance de uma mulher engravidar de gêmeos, por exemplo, caiu bastante graças à diminuição da quantidade de remédios usados'', afirma Koike. O preço dos tratamentos pode variar do mínimo necessário para a compra de medicamentos (uma caixa com dez comprimidos de estimuladores de ovulação custa R$ 25) até R$ 20 mil reais para a fertilização in vitro.
Para aquelas que estão decididas a adiar a gravidez, o médico dá algumas dicas. A principal delas é frequentar o ginecologista regularmente. ''A saúde do útero e dos ovários é fundamental para garantir a possibilidade de uma gravidez tardia e o sucesso dos tratamentos. Estar atenta a qualquer mudança é importante'', garante. Depois, manter uma boa qualidade de vida, com alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares e longe do cigarro e do estresse. ''Esse tipo de atitude é bom para todo mundo, independentemente de querer engravidar ou não.''n

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