Envelhecer bem é um teorema simples: depende um pouco da genética e muito do estilo de vida. Quem passou bem pelos 30 anos, com certeza chegará bem aos 40, 50 e 60 anos. Para isso, o importante é investir em uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos de forma moderada. Mas quem não se preocupou com isso quando jovem, é bom saber que sempre é tempo para começar.
O professor de educação física Denilson Teixeira, mestrando em Pedagogia do Movimento Humano na Universidade de São Paulo (USP), é responsável pelo programa de Condicionamento Físico para a Terceira Idade, que está sendo desenvolvido na academia Wet Sports. Ele explica que a atividade física na terceira idade faz com que a pessoa fique independente por mais tempo.
‘‘O envelhecimento é muito temido porque existe o medo da incapacidade de movimentos. Entretanto, quando a pessoa mantém seu corpo em forma, ela pode chegar aos 80 anos com mais flexibilidade, fortalecimento muscular e uma estrutura óssea mais resistente a fraturas’’, diz Denilson. Ele acrescenta que a prática de exercícios físicas não traz benefícios apenas para o corpo, mas também para a mente. ‘‘Melhora a auto-estima do idoso, que fica mais disposto para a vida’’, afirma.
O professor diz que programas como este não deveriam ser atividades isoladas e restritas apenas a quem pode pagar, mas uma política de sa© úde do governo. ‘‘A população idosa no Brasil está aumentando muito e a expectativa de vida também, mas para que essas pessoas tenham qualidade de vida, é preciso criar programas comunitários e acessíveis a todos’’, defende Denilson.
Musculação Ele reconhece que a educação física tem um aspecto preventivo, que é evitar o surgimento de doenças como artrose, osteoporose e problemas cardíacos e circulatórios, mas mesmo quando a doença já está instalada, é possível ter ganhos com a prática de exercícios. ‘‘No entanto, a pessoa que se exercita a vida toda vai ter, em média, 20 anos a menos que sua idade cronológica. Ou seja, uma pessoa de 60 anos, que sempre praticou atividades físicas, vai ter um corpo tão ágil quanto uma de 40 anos’’, afirma.
E para quem pensa que musculação é apenas para os jovens, Denilson garante que essa modalidade faz muito bem para a turma que já entrou na fase dos ‘‘enta’’. Para o professor, esse é um mito que precisa ser abandonado. ‘‘A musculação, quando é praticada adequadamente, fortalece a musculatura, que é o que a pessoa mais perde com a idade, e também os ossos, evitando fraturas em quedas de pequeno impacto’’, orienta.
O professor assegura que a musculação não faz mal para quem tem problemas de coluna. ‘‘Esse é outro mito que precisa ser esclarecido. Muitas pessoas na faixa dos 50 anos, que sofrem de alterações na coluna, não querem fazer musculação porque o médico disse para não carregar peso. Isso faz mal para a coluna quando é feito de forma errada, sem orientação de um profissional. Musculação não se resume em levantar peso, mas em exercícios para fortalecer a musculatura, usando o peso de acordo com o limite de força da pessoa’’, especifica.
Profissionais A realidade já mudou um pouco, mas ainda existem muitos idosos que têm resistência em frequentar academia por ser um local sempre associado a jovens. ‘‘É importante que as academias reservem horários alternativos para esse segmento da população e que também tenham profissionais preparados, com conhecido básico de gerontologia. A verdade é que existem idosos que não se importam e até gostam de estar entre os jovens, outros preferem horários mais calmos e com uma música menos barulhenta. Isso precisa ser respeitado’’, observa Denilson.
Ele diz que o recomendável é que o idoso faça atividades físicas, em média, de duas a três vezes por semana. ‘‘Depois que ele estiver com um bom condicionamento físico, pode passar a fazer mais vezes por semana. O importante é que o idoso pratique, no máximo, uma hora de exercícios físicos por dia. E antes de iniciar qualquer atividade física deve fazer uma avaliação médica’’, aconselha o professor.

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