Malhação para o coração
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de março de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Homens e mulheres que já passaram dos 60, sofreram ataques cardíacos, passaram por cirurgias de coração ou têm problemas de pressão alta, colesterol, diabetes cumprem uma rotina de caminhadas e exercícios de musculação em uma academia londrinense especializada em atender pessoas com essas características.
De acordo com a fisioterapeuta e proprietária da CardioForma, Maria Fernanda Gonzalez Rocha, a atividade física também pode ser feita por quem precisa de cuidados médicos rigorosos. ''Muita gente chega aqui sem saber das vantagens que a ginástica traz. Só não pode fazer exercícios quem está realmente muito debilitado e com a saúde instável'', garante.
Segundo ela, além de prevenir problemas em quem está bem, a atividade física ajuda a melhorar a qualidade de vida de quem sofre com alguma complicação. ''Cada paciente tem uma sequência individualizada e faz aquilo que é melhor para sua condição física paralelamente ao tratamento médico, que é fundamental. Os exercícios, somados a uma alimentação adequada, podem evitar que os problemas cardíacos se repitam, contribuindo também baixar o nível do diabetes'', explica Maria Fernanda.
''A combinação de caminhada e musculação é bastante benéfica para pacientes com problemas diversos, afirma o educador físico Edgar Cintra. ''Antes, o que se recomendava para pessoas nessa faixa etária era a natação, mas hoje sabemos que outros exercícios são ainda melhores. Com a esteira podemos melhorar a capacidade respiratória e cardíaca e, ao trabalhar com aparelhos e pesos, exercitamos vários grupos musculares'', diz. A vantagem é que o indivíduo se torna capaz de realizar tarefas simples do dia-a-dia.
Em pessoas que apresentam problemas crônicos de saúde é importante tomar alguns cuidados antes e durante a realização dos exercícios. ''Todos os alunos passam por exames médicos antes de iniciar os exercícios e, durante as aulas, os batimentos cardíacos e a pressão arterial são controlados. Eles fazem alongamento e relaxamento também. Mesmo assim ainda temos um aparelho desfibrilador para emergências'', revela Maria Fernanda. Tanto cuidado tem atraído até alunos de outras academias. ''Eles se sentem mais seguros aqui, pois o atendimento é totalmente personalizado. Temos alunos que vieram para cá porque em outros locais se sentiam um pouco perdidos'', comenta ela.
Um desses exemplos é a aposentada Marleny Peçanha Carlesso, 70 anos. Hipertensa e com colesterol elevado, ela fazia ginástica em outra academia e resolveu mudar por indicação médica. ''Antes, quando fazia musculação ficava dolorida, não tinha um acompanhamento tão difenciado'', garante.
''Eu tenho arritmia cardíaca e fazia caminhada sozinho, mas sentia dor nas pernas, no peito e no pescoço. Agora não dói nada'', afirma o Francisco Baroni, 63 anos, aposentado.
Em casos como o dele, de acordo com a fisioterapeuta, o cuidado tem que ser redobrado, pois os riscos são maiores. ''Sem conhecer seu limite cardíaco acabam exigindo demais do organismo'', alerta. Segundo ela, o ideal é que essas pessoas procurem um profissional pelo menos no começo das atividades físicas. ''Tem gente que prefere caminhar, por exemplo, mas é importante saber os limites, aprender numa academia o que poderá ser feito sem ajuda depois'', acrescenta.
Para pacientes com problemas cardíacos, o período de reabilitação depois de um infarto ou cirurgia é, em média, de três meses, segundo Maria Fernanda. ''Os alunos podem fazer exercícios duas, três ou até cinco vezes por semana, dependendo do tempo disponível e da recomendação médica'', explica. (Fone 43
3322-4473)


