Malhação monitorada
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quinta-feira, 08 de maio de 2003
Rosângela Vale<BR>Reportagem Local 
Dores no nervo ciático, moleza, preguiça e indisposição foram alguns problemas enfrentados, no início da gravidez, por Ana Paula de Souza Oliveira, 26 anos, agora no quinto mês de gestação de seu primeiro filho. Bastou começar a fazer exercícios físicos para se sentir bem melhor. ''Não tenho mais dores, nem aquela ansiedade do começo e estou bem mais disposta'', relata.
Cristiana Veronesi Fraga, 30 anos, faz atividade física desde o início da gravidez. ''Sempre corri oito quilômetros por dia. Nos primeiros meses da gestação, continuei a correr, só diminui o percurso e a intensidade. A médica me liberou desde que a frequência cardíaca não passasse de 135. Mas a gente vai ficando com receio, as costas doem, por isso, comecei a fazer hidroginástica'', conta ela, agora no oitavo mês. Cristiana garante que os exercícios ajudam a diminuir o stress e a melhorar o sono.
Ana Paula e Cristiana fazem parte da turma de ginástica obstétrica, orientada pela fisioterapeuta Heloísa Villas Boas, que reúne 15 gestantes de 18 a 40 anos, três vezes por semana, na academia Wet Sport, em Londrina. O objetivo do programa, que inclui atividades aquáticas e de solo, é a melhora cardio-respiratória, o controle de peso, a preparação geral da musculatura para o parto e a recuperação mais rápida do pós-parto. ''É também um trabalho preventivo da dor através de exercícios posturais para evitar lombalgias, além de favorecer o aspecto estético, ajudando no controle do peso e evitando inchaço excessivo'', explica a fisioterapeuta.
Uma vez por semana, Heloísa reúne a turma para esclarecer dúvidas sobre as alterações corporais e respiratórias ocasionadas pela gestação, tipos de parto e anestesia. ''É ótimo conviver com outras gestantes. A gente não fala com o médico todos os dias. Então, tiramos nossas dúvidas nessas conversas'', conta a aluna Ana Carolina Bertin de Almeida Lopes, 31 anos, grávida de oito meses do segundo filho.
Beleza e humorDe acordo com a fisioterapeuta, antigamente os médicos recomendavam atividade física na gestação para facilitar o parto normal, mas hoje a indicação é mais ampla. ''Visa-se também toda a preparação do coração e do pulmão para enfrentar a anestesia da cesariana. Há estudos indicando que o bebê também é beneficiado com os exercícios, pois nasce com o coração e o pulmão mais fortes, por causa da liberação de endorfinas'', esclarece Heloísa, ressaltando que só são admitidas no programa mulheres que já passaram dos primeiros três meses de gestação, considerados os mais delicados para a formação do bebê. Depois desse período, as atividades estão liberadas até, praticamente, a véspera do parto.
O programa inclui hidroginástica, fortalecimento muscular (musculação terapêutica com peso e caneleira), alongamento e relaxamento. A parte aeróbica conta com caminhada no Zerão, bicicleta e esteira, com monitoramento da frequência cardíaca que, segundo Heloísa, não pode passar de 140 batimentos por minuto. ''Mais elevado, esse índice pode desencadear contrações e um trabalho de parto prematuro'', avisa.
Ela esclarece que atividades de impacto não são recomendadas por causa do hormônio relaxatina, que deixa a articulação e os ligamentos mais frouxos, fazendo a gestante perder o equilíbrio e facilitando quedas e entorces. Outro cuidado é com a temperatura gerada pelo calor do exercício, que pode atrapalhar o desenvolvimento do cérebro do bebê. ''O líquido amniótico é o responsável por manter a temperatura do corpo constante. Se a mãe fizer uma atividade que gera hipertermia, o líquido aminiótico não dá conta de manter a temperatura ideal, acarretando problema na formação do tubo neural'', explica.
Desde que bem orientada, a atividade física, segundo Heloísa, é benéfica em todos os sentidos, tanto físico como emocional. ''Repercute em tudo: na beleza e no humor da mãe e na tranquilidade do bebê'', garante. n


