O sonho de todo turista é viajar sem bagagem, mas como isso não é possível, o jeito é tentar fazer as pazes com as malas. Elas são tão importantes e problemáticas que em seu livro ‘‘Viaje na Viagem’’, o jornalista Ricardo Freire dedica um capítulo inteiro para falar sobre as malas. Ninguém melhor do que ele – que viajou durante 15 anos para todos os lugares do mundo – para saber como lidar com elas. ‘‘Não existe objeto mais consciente da própria importância do que as malas. Elas são idiossincráticas e abusadas. Foram postas neste mundo apenas para atazanar nossas viagens. Além disso, se perdem mais que criança em praia lotada’’, diz Freire.
Dependendo da situação, sua ‘‘lua-de-mel’’ com a mala pode acabar logo depois da primeira corrida de táxi, com você colocando algum apelido ‘‘carinhoso’’ em sua companheira de viagem como: treco, troço, estrupício, jamanta e entulho. Para evitar isso, Ricardo Freire orienta qual é a mala ideal: ‘‘Ela deve ser de fibra, ter tela divisória, rodinhas e alça longa, de preferência retrátil, para poder ser puxada feito carrinho de feira. Tenha coragem e escolha uma cor bem ‘‘cheguei’’ – verde, vinho ou azul – para que ela não se confunda com as milhares de malas pretas que aparecem na esteira’’.
Ele destaca que mala não é closet, portanto, antes de arrumá-la, coloque sobre a cama tudo o que você acha que precisa levar e corte pela metade. ‘‘O ideal é que você carregue roupas intercombináveis, mesclando peças básicas com cores neutras – preto/cáqui/marinho/branco – com peças que complementam o visual de acordo com finalidades específicas – social/praiano/diurno/noturno’’, orienta o autor, ressaltando que sapatos precisam ser usados e confortáveis. ‘‘Sapatos novos são proibidíssimos em qualquer viagem’’.
Mala de mão Atenção especial deve ser dada à mala de mão. ‘‘Pense nela como uma bóia salva-vidas. Ela precisa conter tudo o que você precisaria num intervalo de 24 horas, caso extraviem a mala grande que foi despachada’’. Segundo Ricardo Freire, a mala de mão deve conter: documentos e objetos de valor, cosméticos, remédios, uma peça de roupa íntima, meias, blusa ou camisa. ‘‘A mala de mão não deve carregar nada do que deveria estar na mala grande. Se na ida ela estiver funcionando como mala auxiliar, é porque você está levando o dobro do que deveria’’. É importante lembrar que em viagem para o exterior, remédios com tarja vermelha ou preta devem estar acompanhados de receita médica.
‘‘Na arrumação da mala grande – orienta Freire – a primeira coisa a ser colocada são as calças, rentes ao ‘chão’, no sentido horizontal, com a metade das pernas saindo para fora da mala. Posicione uma calça com as pernas para um lado, e a calça seguinte com as pernas para o lado oposto. Para os vestidos também pode-se usar a mesma técnica. Coloque em seguida as camisas dobradas, saias e bermudas. Então, traga as pernas das calças para dentro da mala, ensanduichando as outras roupas’’.
Ele recomenda colocar as meias dentro dos sapatos, guardando-os dentro de sacos plásticos. ‘‘Ajeite os sapatos contra a parede superior e inferior da mala, nos espaços deixados pelo sanduíche de calças. Preencha os vazios com sua roupa de baixo e por cima coloque as camisetas e blusões, dobrados, nunca enrolados. No decorrer da viagem, use a tela para separar a roupa suja da limpa. E sequestre como souvenir o saquinho de lavanderia do primeiro hotel em que você ficar para servir de cesto de roupa de baixo suja’’, sugere Freire.

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