O envelhecimento da população coloca o mal de Alzheimer entre as principais doenças do próximo milênio. As autoridades de saúde fazem o alerta e reclamam da falta de profissionais abalizados para lidar com o problema. Mas engana-se quem pensa que esta é uma informação nova. É o que explica o especialista Paulo Henrique Bertolucci, da Associação Paulista de Medicina. ‘‘Desde a década de 70, os médicos já chamavam a atenção para esta epidemia silenciosa’’, lembra. Segundo ele, um dos principais fatores responsáveis pelo número crescente de casos da doença é o envelhecimento da população. ‘‘As autoridades de saúde sabiam disso há muito tempo, não se pode dizer o contrário.’’
O mal foi descrito pela primeira vez em 1907, por um neurologista alemão. É verificado com maior frequência a partir dos 60 anos de idade. As mulheres são as principais vítimas. Fatores cromossômicos e genéticos podem influenciar no surgimento da doença. ‘‘O aspecto hereditário responde por menos de um terço dos casos’’, acrescenta Bertolucci. ‘‘Recentemente, na Europa, foi divulgado um estudo em relação a essa questão, constatando que a hereditariedade é praticamente insignificante. O que é uma notícia importante.’’
De acordo com ‘‘Alimentos Saudáveis, Alimentos Perigosos’’, publicação da Reader’s Digest, os cientistas pesquisam a influencia de fatores hormonais. ‘‘Alguns estudos recentes indicam que a reposição de estrogênio (no caso das mulheres) pode proteger contra a doença. Distúrbios da tireóide também estão relacionados ao risco de desenvolver o Alzheimer’’, alertam os cientistas.
Bertolucci faz uma análise pessimista da doença no Brasil. ‘‘Os Estados Unidos, comenta, têm um custo anual com o mal de Alzheimer em torno de US$ 100 bilhões. No Brasil, esta cifra deve ser bem menor’’, acredita. Aqui, diz, o poder público tem conhecimento do problema, mas pouco se faz. ‘‘As famílias têm de se virar como podem’’, lamenta.

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