Mal de Alzheimer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de maio de 1999
Cleide Cavalcante Agência Estado 
O envelhecimento da população coloca o mal de Alzheimer entre as principais doenças do próximo milênio. As autoridades de saúde fazem o alerta e reclamam da falta de profissionais abalizados para lidar com o problema. Mas engana-se quem pensa que esta é uma informação nova. É o que explica o especialista Paulo Henrique Bertolucci, da Associação Paulista de Medicina. Desde a década de 70, os médicos já chamavam a atenção para esta epidemia silenciosa, lembra. Segundo ele, um dos principais fatores responsáveis pelo número crescente de casos da doença é o envelhecimento da população. As autoridades de saúde sabiam disso há muito tempo, não se pode dizer o contrário.
O mal foi descrito pela primeira vez em 1907, por um neurologista alemão. É verificado com maior frequência a partir dos 60 anos de idade. As mulheres são as principais vítimas. Fatores cromossômicos e genéticos podem influenciar no surgimento da doença. O aspecto hereditário responde por menos de um terço dos casos, acrescenta Bertolucci. Recentemente, na Europa, foi divulgado um estudo em relação a essa questão, constatando que a hereditariedade é praticamente insignificante. O que é uma notícia importante.
De acordo com Alimentos Saudáveis, Alimentos Perigosos, publicação da Readers Digest, os cientistas pesquisam a influencia de fatores hormonais. Alguns estudos recentes indicam que a reposição de estrogênio (no caso das mulheres) pode proteger contra a doença. Distúrbios da tireóide também estão relacionados ao risco de desenvolver o Alzheimer, alertam os cientistas.
Bertolucci faz uma análise pessimista da doença no Brasil. Os Estados Unidos, comenta, têm um custo anual com o mal de Alzheimer em torno de US$ 100 bilhões. No Brasil, esta cifra deve ser bem menor, acredita. Aqui, diz, o poder público tem conhecimento do problema, mas pouco se faz. As famílias têm de se virar como podem, lamenta.


