Mais perto do coração
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de janeiro de 2001
Celso Mattos 
Quando o psicólogo norte-americano Daniel Goleman publicou em 1995 o livro Inteligência Emocional recebeu muitos elogios e uma enxurrada de críticas. O que Goleman questionava era porque certas pessoas com QI alto fracassavam na vida e outras com QI médio conseguiam obter sucesso? A explicação, segundo ele, é que determinados indivíduos, mesmo não sendo muito inteligentes, sabem usar melhor seu intelecto e suas emoções.
Mas Goleman não foi o primeiro a defender essa tese. Os estudos sobre o assunto já duram cerca de 25 anos. Hoje, a exemplo de Goleman, muitos estudiosos estão convictos de que é preciso buscar um equilíbrio entre intelecto e emoções para se obter sucesso pessoal e profissional. O intelecto não pode dar o melhor de si sem a inteligência emocional, afirma Daniel Goleman.
A psicóloga clínica Nione Torres, de Londrina, que tem ministrado palestras e cursos sobre o assunto em várias cidades brasileiras defende que ser inteligente emocionalmente significa, principalmente, colocar os sentimentos e as emoções a nosso favor e não contra nós. É, portanto, uma competência a ser aprendida ao longo da vida, e isso nos dá a certeza de que temperamento não é destino, afirma.
Ela ressalta que a inteligência emocional partiu de estudos científicos sobre os circuitos cerebrais do ser humano. É um grito de alerta aos que ainda pensam que a racionalidade é o único aspecto responsável pelos nossos sucessos ou pelos nossos fracassos. Segundo a psicóloga, hoje vivemos o reflexo de uma cultura que por muitos anos investiu no intelecto, relegando a segundo plano o emocional.
A crise que a humanidade atravessa com altos índices de crime, depressão, suicídio e abuso de drogas nos leva a refletir que isso são sintomas de uma sociedade em que a saúde emocional está extremamente fragilizada, e que a incapacidade de lidar com as próprias emoções pode destruir vidas, relacionamentos e acabar com carreiras promissoras, alerta.
Assertividade Nione Torres diz que o indivíduo inteligente emocionalmente desenvolve habilidades pessoais e interpessoais que o tornarão mais capaz de gerenciar sua vida no campo afetivo, social e profissional. Ela destaca que entre as habilidades interpessoais mais importantes a serem desenvolvidas está a assertividade. Ser assertivo significa saber expressar sentimentos, pensamentos e a empatia. É a habilidade de dizer não no momento certo e de estabelecer limites, o que tornará a pessoa mais segura nas suas escolhas profissionais e pessoais, afirma a psicóloga.
Por esse motivo, atualmente, as grandes organizações e empresas estão apostando mais na competência emocional do profissional do que na competência técnica. A técnica pode ser adquirida através de cursos e treinamentos, acrescenta. A valorização dessa habilidade fez com que muitas escolas norte-americanas incluíssem no currículo do ensino fundamental atividades que despertem na criança a inteligência emocional. No Brasil, a maioria dos cursos de pós-graduação já conta com disciplinas que visam desenvolver a competência emocional no indivíduo, informa Nione Torres.


