Mais informadas e preocupadas com a saúde
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quinta-feira, 07 de março de 2002
Angela Raizer Barbosa 
O corpo feminino nunca esteve tão protegido pela ciência como hoje. Os métodos de diagnóstico e tratamento de doenças tipicamente femininas estão ao alcance de um número cada vez maior de mulheres. Mas foi preciso muito tempo e pesquisa para que a medicina descobrisse as particularidades do sexo feminino que, em esse tratando de saúde, ainda pode ser considerado frágil. Até porque as profundas mudanças comportamentais ocorridas nos últimos 50 anos contribuíram para o aumento da incidência de algumas doenças, como o câncer de mama, a principal causa de morte entre as mulheres.
No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima cerca de 30 mil novos casos a cada ano, dos quais 8 a 9 mil terminam em morte, diz o médico ginecologista Luiz Paranzini. Trata-se do principal tipo de câncer feminino, representando cerca de 18% de todos os demais, acrescenta. A boa notícia é que hoje a mulher tem mais acesso à informação e a tratamentos preventivos, podendo flagrar o câncer na sua fase inicial, quando as chances de cura chegam a 90%.
Luiz Paranzini cita a incidência de outros cânceres que podem acometer as mulheres, além do de mama, que podem ser diagnosticados precocemente: colo de útero (15%), intestino grosso e reto (9%), estômago (8%), endométrio (5%), pulmão (5%), ovário (4%), vulva e vagina (1% a 2%).
Avanços Nos últimos 20 anos, os exames preventivos se tornaram menos invasivos e muito mais precisos. Na década de 80, por exemplo, a osteoporose (descalcificação dos ossos que afeta as mulheres após a menopausa) só era detectável por radiografia, quando a perda da massa óssea estava acima de 30%. Hoje, aparelhos sofisticados conseguem verificar perdas de até 2%, enquanto que mamografias de alta definição detectam tumores de mama de até meio milímetro as antigas radiografias não eram capazes de detectar nódulos com menos de 1 centímetro.
Graças a essa tecnologia e as facilidades de acesso a ela, empresas que atuam na área de saúde, como a Unimed, apresentam cifras respeitáveis no segmento de exames preventivos femininos feitos em Londrina. Em 2001, por exemplo, foram realizadas 4.731 densitometrias ósseas, 15.076 mamografias e 31.695 papanicolau. No mínimo isso significa que, no ano passado, 51.502 mulheres usuárias da Unimed tiveram a preocupação de se prevenir contra três das principais doenças que estão no ranking das mais frequentes.
De mães para filha Osteoporose, câncer, infertilidade, tensão pré-menstrual, menopausa, terapia de reposição hormonal, obesidade são alguns dos fantasmas que rondam a mulher moderna, que vive exposta a inúmeras pressões. Mesmo assim, quando comparamos homem e mulher quanto à expectativa média de vida, nota-se que a mulher atual vive mais e melhor. Tal fato resulta da sua predisposição em submeter-se a avaliações periódicas de saúde, normalmente por orientações passadas de mãe para filha, revela Luiz Paranzini. Segundo ele, a motivação maior para exames médicos regulares geralmente acontece durante a primeira gravidez, sendo na maioria dos casos o primeiro contato com o médico. Dessa avaliação, com o objetivo de preservar a saúde da mãe e do feto, continuada pelo pediatra após o parto, cria-se o saudável hábito de recorrer aos profissionais de saúde para orientações frente a sinais e sintomas que venham a ocorrer no cotidiano. A mãe, gestora desse procedimento, ao conscientizar sua prole para que procure assistência médica mesmo na ausência de doença, para um exame preventivo, promove melhores condições de saúde, evitando sofrimentos e traumas futuros.
Exames básicos
Os exames preventivos devem incluir, além do auto-exame, exame clínico das mamas, papanicolau, avaliação dos órgãos genitais externos e internos (toque), e exames complementares como mamografia, ultra-sonografia e densitometria óssea.
Auto-exame das mamas: a partir dos 20 anos, uma vez por mês logo depois da menstruação, para detectar caroços, feridas e secreções nos mamilos
Papanicolau: depois da primeira relação sexual, uma vez por ano, para detectar alterações no útero e nos ovários
Mamografia: para detecção precoce do câncer de mama, aos 35 anos a mulher deve fazer a mamografia de base, antes dessa idade só para fator hereditário. Dos 40 aos 50 anos o exame deverá ser feito a cada dois anos. Após os 50 anos, anualmente.
Ultra-sonografia das mamas: a partir da primeira menstruação, para mulheres com histórico familiar da doença, mantendo um controle anual. Em mulheres jovens, a ultra-sonografia é mais eficaz para detectar tumores que a mamografia porque ela examina melhor estruturas mais rígidas, como tendem a ser as mamas dessas pacientes.
Densitometria óssea: entre 30 e 40 anos, a mulher deve fazer um primeiro exame para verificar se a perda de massa óssea é normal para a idade. Depois da menopausa, uma vez por ano. A partir dos 35 anos toda mulher perde massa óssea, mas a perda maior ocorre nos dez primeiros anos depois da menopausa.


