Não é nenhuma novidade que a companhia de animais é extremamente importante para o desenvolvimento das crianças. Segundo os psicólogos, eles ajudam a desenvolver a responsabilidade, o respeito e o carinho, além de serem ótimos amigos para as brincadeiras.
Mas quando pensamos em animais para crianças, logo vem à cabeça os cãezinhos, gatinhos, pássaros e peixinhos. O que muita gente não sabe é que os cavalos também são ótimas opções para ajudar no desenvolvimento psíquico e motor dos pequenos. Tão bons, eles ainda são usados para tratamento de pessoas com deficiência física e mental. A técnica se chama equoterapia e já está disponível em Londrina na escola de equitação Força Livre.
O tratamento utilizando cavalos não é uma terapia dos tempos modernos, embora seja uma atividade nova no Brasil. ''Há séculos as pessoas utilizam cavalos para se tratar de problemas posturais e de equilíbrio. Na 1 Guerra Mundial usava-se os cavalos para trabalhar com os mutilados. No Brasil, a técnica tem apenas 16 anos, mas já existem cerca de 200 centros espalhados pelo País'', afirma o presidente da Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), Sérgio Cazarim, que esteve em Londrina para a abertura do centro de tratamento na cidade.
Ele explica que a equoterapia é uma atividade multidisciplinar que ajuda a melhorar quadros de deficiência física e mental e que pode ser praticada por quase todas as pessoas. ''Antes de começar, o praticante deve passar por uma avaliação médica. Apenas pessoas com menos de três anos, Síndrome de Down ou deficiência mental graves não podem fazer a terapia. Elas não possuem sustentação de coluna e quadril suficiente para andar a cavalo'', explica.
Com essas exceções, a equoterapia dá bons resultados para pacientes de diferentes áreas. Ela pode ser usada para pessoas com problemas de drogas, depressão, comprometimento físico ou mental. Atualmente na Força Livre existem uma psicóloga, uma fonoaudióloga e uma fisioterapeuta que trabalham em conjunto. ''O cavalo dá um status e uma sensação de poder, de controle sobre o animal, que ajuda bastante a superar as dificuldades, dar confiança. A terapia não faz milagres, mas potencializa outros tratamentos e melhora a qualidade de vida do paciente'', diz Sérgio.
''Quando a pessoa anda a cavalo, ela realiza um movimento tridimensional que trabalha bem o controle de tronco e membros superiores, além de aumentar o equilíbrio. Para cadeirante também é bom porque eles conseguem ver as coisas de cima. Isso ajuda na questão psicológica'', afirma a fisioterapeuta Aline de Oliveira César. ''É claro que a equoterapia não pode substituir o tratamento em consultório, mas o paciente gosta porque nem percebe que está se tratando. Se exercita brincando'', completa.
O trabalho com os cavalos é tão completo que pode ser usado até na área de fonoaudiologia. ''O paciente que faz equoterapia trabalha bem a respiração, exercita os lábios mandando beijos para o cavalo andar e usa a fala para dar comandos ao animal. Parece pouco mas isso ajuda bastante no trabalho que fazemos no consultório. Com um mês de tratamento já é possível ver os resultados'', diz a fonoaudióloga Renata Parreira.
E na área psicológica, estar próximo a um animal como o cavalo ajuda a desenvolver certas habilidades e superar vários problemas. ''Pessoas com dificuldade de contato social e medo são muito favorecidas com a equoterapia. Ela também ajuda pacientes com depressão e na terceira idade, para auto-estima. Só quem tem muito medo não pode fazer a terapia. O resto das pessoas sempre terão algum benefício'', afirma a psicóloga Nancy Kazume Ishikawa.
As aulas são feitas com cavalos escolhidos exatamente para a terapia e duram cerca de meia hora. ''Mais que isso a pessoa não aguenta, começa a doer. Os animais também são selecionados entre aqueles mais mansos e calmos. Nos primeiros dias fazemos apenas um trabalho de reconhecimento e adaptação. Quando o paciente já estiver confiante, aí ele monta. O problema não é convencer a montar, mas a sair do cavalo depois que a terapia termina'', comenta Nancy.
Como necessita de um número grande de profissionais envolvidos e o custo para se manter os animais é alto, a equoterapia ainda é uma alternativa inviável para alguns bolsos. ''Por isso estamos procurando parceiros entre as empresas. A proposta é que elas adotem uma criança carente e paguem o tratamento para ela. Para uma empresa, o valor da mensalidade não é caro'', diz. Quem quiser saber como funcionam as adoções pode entrar em contato com a Força Livre pelo telefone (43) 3341-8484.

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