Servir cafezinhos, atender telefones e anotar recados estão prá lá de ultrapassados quando se pensa nas atribuições da secretária. A competitividade imposta às empresas pelo fenômeno da globalização exige profissionais habilidosas, organizadas e, sobretudo, éticas e discretas.
''Somos preparadas para assessorar e assistir ao executivo nas decisões administrativas da empresa'', afirma a professora Neusa Maria Orthmeyer Massaruti, coordenadora do curso de secretariado executivo da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''É ela quem serve de ponto de apoio entre a diretoria e os demais setores de uma empresa, completa Adilseia Soriani Batista, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos Regional de Londrina, que é também gerente de Recursos Humanos da Sercomtel.
Para isso, lembra Neusa, é preciso que a secretária desenvolva habilidades conceitual, técnica e humana, com conhecimentos nas áreas de administração, comunicação, cultura geral e disciplinas de formação específica. Para Adilseia, a formação é imprescindível na construção de profissionais competentes, pois é a educação que fornece a base necessária para o desenvolvimento das habilidades. Mas é preciso ainda, segundo ela, uma complementação desses conhecimentos, pois a universidade não desenvolve a mesma mobilidade exigida pelo mercado. ''E, acima de tudo, é necessário dar respostas rápidas'', destaca.
Adilseia admite que não conhece em detalhes o currículo do curso de Secretariado Executivo, mas diz que possível perceber que ele está em sintonia com as exigências do mercado, formando profissionais ''com um olhar mais profundo e coerente''.
Preconceito Neusa Massarutti diz que a conscientização dos empresários e da sociedade pelo reconhecimento da profissão é a atual preocupação das secretárias. Na UEL, o assunto tem sido tema de trabalhos de conclusão de curso, que incluem pesquisas junto aos setores públicos e privados para avaliar como a profissão é vista e entendida. ''Quando se busca um profissional, em qualquer área, a procura é por pessoas habilitadas para a profissão que exercem. Por que não fazer o mesmo com a secretária?'', questiona a professora.
''Dar o título de 'secretária do lar' para a empregada doméstica é, para a categoria, uma atitude altamente preconceituosa'', frisa. Neusa alega que essa postura ''não é segregar ou ser superior, ambas as profissões são honradas, mas temos um preparo específico para o que fazemos''.
Segundo o site da Fenassec, a entidade sempre que tem conhecimento de alguma forma discriminatória da profissão toma providências para resolver a situação, como atualizar e informar o novo perfil da secretária. ''Acompanhando o mercado de trabalho, o requisito para a seleção é a formação e a competência''.
Para o empresário Chebli Nabhan Filho, a função da secretária na empresa é insubstituível. ''É ela quem cuida de toda a parte burocrática da empresa, e de serviços que não temos tempo de executar''. Nabhan Filho diz que para que essas atividades sejam realizadas com sucesso, é preciso investir na atualização da secretária. Uma boa profissional precisa, segundo ele, ter conhecimentos básicos em informática, administração e redação. n

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