Magia de geração para geração
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quinta-feira, 21 de março de 2013
Elaine Souza <br> Reportagem Local 
É quando somos criança que a magia da Páscoa é muito mais verdadeira. Enquanto os adultos revivem a infância, os pequenos se envolvem em um encantamento doce e poético, tendo como personagem principal o coelhinho que traz os ovos de chocolate.
Nessa época lúdica, muitas famílias oportunizam às crianças momentos de grande diversão. Alguns pais fomentam a expectativa dos filhos, confeccionando junto com eles cestinhas que possam guardar os ovos que o coelhinho vai trazer. Na imaginação dos pequenos, pegadas de coelhos pela casa indicam que o espertinho conseguiu entrar sem acordar ninguém e escondeu chocolates por todos os cantos.
Essa fantasia sempre esteve presente na infância de Erika Milani, mãe de Davi, de 1 ano e 10 meses. ''Cresci comemorando a Páscoa. Meus pais enchiam a casa de pegadas de coelhinhos e tínhamos que procurar os ovos de chocolate. Acordava no domingo e já olhava embaixo da cama para ver se meu ovo estava lá.''
Hoje, a brincadeira é mantida em sua nova família. Erika, que acha importante a inocência de acreditar em algo - neste caso, o coelhinho -, já prepara a Páscoa junto de sua mãe e irmãs para as crianças da família, bem como para o primogênito Davi. A casa de sua mãe, conta ela, já está cheia de pegadas de coelhinhos e cestinhas para receber muitos ovos.
''Vivi essa época gostosa e por que não passar isso para meu filho? É um encantamento que quero passar para ele, sim! Ele já assimila coelho e ovo, mas acredito que por ser ainda muito pequeno não saiba que é o coelhinho quem traz o ovinho. Mas ele já pede o ovo de chocolate'', conta.
Muito antes de Lucas, de 9 anos, e Mateus, de 6, nascerem, a magia da Páscoa já tinha espaço na casa dos irmãos. Simone Guimarães Yokozawa, mãe dos pequenos, não cresceu em meio a essa diversão, mas sempre sonhou com uma casa enfeitada para a ocasião.
Na residência de Simone e do seu marido Mario Kenji Yokozawa, há um espaço montado especialmente para datas especiais, tais como a Páscoa e o Natal. Ali, eles cultivam com os filhos, além da tradição de cestinhas, ovinhos e coelhinhos, o real sentido da Páscoa, que é de renascimento e perdão.
''Há muitos anos enfeito minha casa, é uma tradição. Sempre digo para meus filhos que o coelhinho traz ovos porque eles tiveram boas maneiras, bom comportamento. Vejo que essa magia os torna pessoas melhores. Ensino o real sentido da Páscoa, ensino a eles que o coelhinho e o Papai Noel trazem presentes que Jesus mandou, presentes que são resultados por serem crianças carinhosas, obedientes e bons alunos'', conta.
Com filhos pequenos ou não, Simone diz que o ato de decorar a casa é algo que vai se estender por muitos anos. Além de ser uma atitude gostosa, explica ela, há outros sentidos, como o significado da religião e da fé.
''Hoje a Páscoa é muito diferente, ninguém está preocupado com seu real sentido. Antes até o sentimento de ganhar um ovo era diferente, se contava os dias para isso. Hoje está tudo muito acessível. Aqui em casa permito que no dia da Páscoa meus filhos comam chocolate o dia todo. O que sobra, doamos'', conta.
Dosar o consumismo
À venda em supermercados, postos de gasolina, padarias, entre outros, os ovos de Páscoa ganham - ano a ano - inúmeras formas, sabores e tamanhos. É, sem sombra de dúvida, a época em que a indústria do chocolate mais lucra. Em meio a tantas opções e tentações, cabe aos pais orientar seus filhos sobre a quantidade ideal a ser ingerida e também quantos mimos os filhos devem ganhar.
''Hoje há um apelo abusivo do mercado. Cabe a cada pai e mãe mediar e ponderar o que é bom para a família e os filhos. Vou comprar apenas um ovo para meu filho'', diz Erika.
Na casa da família Yokozawa, o chocolate chega de acordo com o merecimento. ''Presenteio conforme eles merecem. Aqui também não importa o tamanho do ovo, mas, sim, o reconhecimento por eles serem boas pessoas'', coloca Simone.
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