Mães solidárias, filhos idem
A professora Ana Paula Berehulka cresceu em meio a uma família que, não importava o mês ou data do ano, sempre fazia doações de roupas e brinquedos. Hoje, mãe de Daniel, de 3 anos, pratica todos os anos os ensinamentos de seus pais, e vem, com exemplos solidários, incentivando o seu filho a seguir o mesmo caminho.
"Eu e meu esposo fazemos doações todos os anos, e não importa o mês. Meu filho nasceu vendo isso e hoje ele participa, me ajudando a separar os brinquedos que ele não usa mais, mas que, nem por isso, não estão em perfeitas condições de uso. Não doamos o velho ou encostado, doamos aquele brinquedo que ele brinca pouco, e o mesmo faço com roupas", conta ela.
Ana Paula diz que a consciência de ajudar o próximo, passada de geração para geração, vem transformando seu filho num ser humano mais bondoso, que sabe dividir até as coisas mais simples do dia a dia, como um chocolate.
"Esse benefício do desprendimento, de não juntar coisas que não usamos, faz do meu filho uma pessoa melhor, menos egoísta. Ele sabe dividir brinquedos, me ajuda a selecionar o que vamos doar e sinto que ele valoriza tudo o que ganha. O que separamos sempre destinamos a entidades que já ajudamos há anos. Considero que essa atitude acaba colaborando muito mais com a gente do que com quem recebe, pois aprendemos a nos desprender das coisas que muitas vezes vão se acumulando", diz.
Marco Aurélio tem nove anos e há seis ajuda sua mãe, a enfermeira Michele Frederico Balan, a separar brinquedos para doação no final do ano. O ato de repartir, assegura a mãe do, nunca foi imposto como uma atitude de troca, ou seja, você doa e recebe outro.
"Sempre enxergamos a questão de doar como solidariedade. Meu filho não ganha outro brinquedo para poder doar algum que ele não brinca mais. Doamos, de comum acordo, porque não usamos e se não usamos não precisamos. Separamos tudo que está em perfeita condição de uso e enviamos para instituições ou famílias que estão necessitando", explica.
O ganho com essa postura, diz a enfermeira, se resume em ver o próximo feliz e também passar um grande valor ao filho. "Meu filho é uma pessoa gentil, não é egoísta. Vemos que com um gesto pequeno, conseguimos fazer muito. Se temos uma vida mais confortável que tantas outras pessoas, por que não ajudar? Partilhar é muito bom!", completa Michele.





