Mães meninas
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A maternidade em plena adolescência muda planos, desfaz as ilusões da idade e transforma garotas em mulheres
Rosângela Vale
Fotos: Mário César; maquiagem: Rosinha; cabelo: Dorilde Kussano;
Fiquei mais corajosa para enfrentar os problemas, diz RaquelDe repente, a vida parece virar de cabeça para baixo: festas, badalações e namoros inconsequentes passam a fazer parte do passado. E o futuro é visto sob uma nova perspectiva: alterados ou adiados, os sonhos e planos da adolescente dão lugar às responsabilidades e preocupações de uma mãe. Mas, apesar dessa reviravolta na vida, a maternidade precoce tem mais ganhos do que perdas segundo algumas garotas.
Quando eu tiver 40 anos, minha filha vai ter 20; a nossa relação vai ser muito mais próxima e amigável, prevê Raquel Hauenstein de Mendonça, 21 anos, mãe de Jordana, de 7 meses. Segundo ela, a gravidez não foi planejada, mas foi uma surpresa muito boa. Eu sempre quis ser mãe. Só aconteceu mais cedo do que eu esperava, diz. Ela conta que teve que mudar seus planos em relação aos estudos. Se eu não tivesse engravidado, faria duas faculdades simultaneamente. Tive, então, que optar por uma delas.
Raquel estuda à noite, e nesse período a filha fica sob os cuidados do pai. Ele sempre foi muito companheiro. Quando eu acordava para amamentar, ele acordava comigo, me ajudava a trocar fraldas, conta. De acordo com ela, a maternidade mudou o seu modo de pensar e agir. Antes, eu queria me formar para a minha realização pessoal; hoje, vejo isso como garantia de um futuro melhor para a minha filha. Também fiquei mais corajosa para encarar os problemas. Afinal de contas, a criança vê os pais como heróis, temos que passar essa segurança.
Antes eu só tinha ilusão. Agora estou com os pés no chão. Isso é uma vantagem, observa Vívian
Quando soube que estava grávida, Vívian Parthey, na época com 17 anos, se sentiu em outro planeta. Ela tinha acabado de chegar do Chile, onde foi trabalhar como modelo, e apesar de voltar ao Brasil já decidida a abandonar a profissão, a notícia de que ia ser mãe foi um susto. Procuro não pensar nas perdas que tive com a gravidez precoce. Isso seria retroceder, diz ela, certa de que a maternidade abriu os seus olhos. Antes eu só tinha ilusão, agora estou com os pés no chão, e isso é uma vantagem, analisa.
Vívian planeja prestar vestibular em breve, e poderá contar com a ajuda da mãe e da sogra para cuidar de Vitória, hoje com dois meses. O casamento também está nos seus planos. Mas antes quero ter uma certa estabilidade financeira; meu noivo começou a trabalhar recentemente. Ele também é bem jovem, tem 20 anos, e amadureceu bastante, conta, observando que a relação entre ambos melhorou sensivelmente. Ficamos mais companheiros, procuramos deixar de lado as brigas para unir a família.
Hoje, quando vislumbra o futuro, Vívian só tem olhos para Vitória. Sei que não posso afastá-la de todos os perigos, mas quero dar a ela uma educação cristã, que é a base de tudo. A partir daí, ela vai conseguir lidar melhor com o mundo, diz a menina que está aprendendo a ser mãe.





