Diz a regra natural das famílias que as mães mandam e os filhos obedecem. Claro que algumas são mais severas, outras menos. Em todo caso, a tendência é que isso continue ao longo dos anos, afinal as mães têm mais experiência de vida e querem sempre proteger os pimpolhos.
Mas, e quando mães e filhos saem dos domínios caseiros e também se encontram no mundo profissional? Empresas familiares não são raridades, seja nos ramos industriais, comerciais, gastronômicos e até da beleza. Mães que são sócias, mães que incentivam e, sobretudo, mães que apóiam.
Quando começou a tecer os primeiros tricôs, os três filhos de Rosa Kikuti ainda eram pequenos. ''Sempre sonhei em ver a empresa crescer, mas jamais imaginei que todos os meus filhos um dia iam trabalhar comigo'', lembra Rosa, que hoje trabalha ao lado de Lilian, Áurea e Ivam. ''É muito bom tê-los por perto'', completa.
''Era um empreendimento de fundo de quintal que começou a crescer com a ajuda dos filhos'', explica Áurea. Além dos quatro, a empresa tem outros 30 funcionários que se dividem entre as funções de tecelagem e costura dos mais variados modelos de tricô. Na família, a divisão de funções também existe. Rosa cuida da produção, Áurea é responsável pelo estilo, Lilian toma conta das finanças e Ivam administra as vendas, que vão do Mato Grosso ao Rio Grande do Sul.
Apesar de terem crescido vendo a mãe trabalhar com fios e lãs, os filhos até tentaram caminhos diferentes. Áurea se formou dentista, Lilian tem diploma de computação e Ivam foi campeão de motocross no Japão. ''Insisti durante um ano para que ele voltasse para nos ajudar'', lembra Rosa. ''Agora ele não se arrepende'', completa.
Para Áurea, o consultório hoje parece algo monótono demais. ''Sempre gostei de moda e acho isso aqui muito mais dinâmico'', garante. Já Lilian, que nem chegou a tentar o mercado da computação, está concluindo o curso de administração de empresas. ''Era o que estava faltando'', diz.
Entre pontos positivos e negativos, Rosa Kikuti conta que uma empresa familiar é mais sentimental. ''Quando se trabalha em família, não existem freios na língua. Mas se tem briga, meia hora depois já está todo mundo se abraçando'', avisa a família Kikuti.
As brigas também não duram muito nos domínios dos Khouri. ''Não tem como ir para casa sem fazer as pazes'', diz Isabela, que ao lado dos irmãos Beto e Nicole abriu há exatamente um ano uma loja de roupas e acessórios. O negócio do trio divide o espaço com a loja de móveis e decoração da mãe Maria Helena, que já existia há mais tempo. ''É uma soma legal por aqui, eu tenho mais experiência tanto de vida como profissional e comercial e eles já têm uma visão mais atualizada das coisas'', diz Maria Helena. ''Temos aprendido muito juntos'', completa.
Formada em propaganda e marketing, Isabela chegou a fazer estágios em empresas, foi contratada, mas pediu demissão quando sentiu a necessidade de abrir um negócio próprio. ''Queria ter algo para mim'', lembra. E para mostrar que tino comercial pode, sim, estar no sangue, os três já tiveram que aumentar o espaço por conta do sucesso do primeiro ano.
Protegendo a cria Maio também é o mês de aniversário da empresa de Desirée Soares, que está completando três anos. Também comemoram mãe e filha que estão há três anos trabalhando juntas. O diferencial da maioria das empresas que acaba passando de mãe para filha é que a escola de modelos surgiu com Desirée e agora tem a ajuda de Dolores.
''Não sei o que seria de mim sem a minha mãe'', relata Desirée, que conta com a mãe para administrar os negócios da escola e agência de modelos enquanto está viajando pelo mundo ao lado do marido. ''Eu achava que um casal não poderia trabalhar junto, mas mãe e filha sim'', brinca Desirée, já que Dolores, depois de se aposentar como diretora de escola, passou a trabalhar com o marido. ''Eu insisti muito para ela vir comigo'', conta a filha.
E mãe que é mãe proteje a cria. ''Se tem problemas, eu tento resolver e conto depois, mesmo assim, só dou umas pinceladas'', explica Dolores. ''Mas quando ela está por aqui é ótimo porque a Desirée resolve tudo num estalar de dedos'', diz. ''Eu decido tudo muito rápido mesmo e, felizmente, nunca tive problemas, mas tento aprender com a minha mãe a ter mais cautela''.
''Uma nunca tomou uma decisão que a outra não tenha gostado'', explica a dupla. ''Como ela é a minha melhor amiga, acho que consegue enxergar as coisas com os meus olhos'', explica Desirée. n

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