Mães depois dos 30
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quinta-feira, 20 de julho de 2000
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Na sociedade moderna, a mulher está muito mais centrada em sua participação ativa do que se verificava há algumas décadas. A busca pela estabilidade emocional e, principalmente, profissional, é um dos fatores que tem feito com que a primeira gestação só ocorra após os 30 anos. E, pelo avanço da medicina, isto não caracteriza um problema tão relevante como no passado.
É cada vez maior o número de mulheres que encontra satisfação no progresso de suas carreiras, assim, tomar a decisão de interrompê-las e ter um filho pode ser muito difícil, explica Miriam Stoppard, autora do livro Mães, Pais & Seus Bebês (Editora Marco Zero).
Para a obstetra Albertina Duarte, depois dos 30 anos a mulher passa para a criança a independência conquistada na vida pessoal e profissional. Há duas, três décadas, essa postura era um absurdo, mas hoje isso mudou muito. É apenas uma consequência da evolução dos tempos, salienta.
Os relatos de grávidas com mais de 35 anos ficaram mais frequentes da década de 80 em diante, conforme diz o obstetra Luiz Fernando Mário. Depois dos 40 anos, a mãe de primeira viagem é chamada por alguns autores como grávida madura. Isso porque há um decrescimento da fertilidade da mulher, o que implica em maior dificuldade para engravidar, anuncia Mário.
Problemas comuns Ele aconselha que toda mulher nesta faixa etária faça um pré-natal muito bem feito para que possa tomar conhecimento de tudo o que pode acontecer com ela e com o bebê. Porém, hoje a medicina dispõe de recursos avançados, como o exame de translucência nucal (que detecta se o feto é portador da Síndrome de Down) e a paciente corre muito menos riscos do que antes, verifica o obstetra.
Entre os problemas associados à gravidez depois dos 35 anos, o especialista destaca a hipertensão, a hemorragia pós-parto e o sofrimento fetal durante o trabalho de parto. Também podemos acrescentar que o número de cesarianas é maior nesta idade. Eu mesmo defendo a cesariana após os 40 anos. Pois mesmo com o avanço da tecnologia, o médico deve cercar-se de precauções, assegura ele, que completa. Vale ressaltar que hoje a medicina tem excelentes condições para fazer monitoragem de uma gravidez de risco, mas nem todos os hospitais estão equipados para isso. É importante ter isto em mente, e certificar-se se o hospital escolhido para acompanhar a gravidez tem tecnologia adequada.


