Fotos: Karla Matida‘‘Quando digo aos meus amigos que vou à sauna, eles assustam, perguntam se eu vou trabalhar como massagista’’, diz SilvanaA maioria das mulheres sempre encarou a sauna com desconfiança. Afinal de contas, por que seus maridos cumpririam a rotina espartana de ir todas as noites ao local se lá não houvesse algum tipo de atrativo sexual? De uns tempos para cá, entretanto, essa pergunta já não atormenta mais grande parte das esposas. É que elas descobriram a verdadeira razão da assiduidade masculina ao lugar desde que passaram a frequentá-lo também.
‘‘É um momento só meu. Não me preocupo com casa, empregada, marido, nada. Seu eu quiser dormir, eu durmo, se quiser bordar, eu bordo; me descontraio, relaxo. Aqui eu esqueço de tudo’’, diz Ezoleth Janicke, 36 anos, sócia há cinco anos da única sauna que consta na lista telefônica. Com uma estrutura similar a de um clube, o local oferece diferentes atividades para preencher as tardes de segunda, quarta e sexta, e também as do primeiro sábado de cada mês. Nestes dias, das 13h30 às 18h (e até às 19h nas segundas e quartas), a entrada de homens é proibida. A eles são reservadas todas as noites da semana e três sábados por mês, quando, então, mulheres não entram.
Além das saunas seca e úmida, há duas salas de ginástica, uma com aparelhos de musculação e outra reservada para as aulas de alongamento e ginástica localizada, sob orientação de uma professora. Outra opção é a hidroginástica: o local conta com três piscinas: uma externa (com cachoeira) e duas internas, incluindo a de hidromassagem, com jatos d’água de intensidades variadas, verdadeiros antídotos contra o stress. Também ficam à disposição das associadas duas massagistas.
‘‘É um lazer tanto para o verão como para o inverno’’, observa Ezoleth, que passa, no mínimo, duas horas por dia no local. ‘‘No verão, chego a ficar cinco horas, porque aproveito para tomar sol’’, conta. Na piscina, na sauna ou na ginástica, a conversa é variada.‘‘Falamos sobre filhos, viagens, cachorros, tapetes, bordados, bronzeados, regimes... Fiz muitas amigas aqui’’, diz.
‘‘Se eu quiser dormir, eu durmo, se eu quiser bordar, eu bordo; me descontraio, relaxo. Aqui eu esqueço de tudo’’, diz Ezoleth
Preconceito O clima lá dentro é de descontração total. A impressão é que o ambiente foi eleito como um segundo lar pelas mulheres. Em que outro local, senão em casa, elas poderiam fazer topless no sol e malhar na esteira de calcinha e sutiã? ‘‘Na academia, eu estaria me expondo demais. Aqui fico mais à vontade’’, justifica Ezoleth, que diz nunca ter encarado a sauna com desconfiança, mesmo antes de passar a frequentá-la. Mas ela é uma das raras exceções no meio feminino.
‘‘Eu imaginava que era um ambiente onde mulheres faziam massagens nos homens. Sempre perguntava se eles ficavam nus perto delas. Tinha muita insegurança’’, diz Silvana Calderon, 27 anos, lembrando da época em que namorava o atual marido. Assim que se casou, tornou-se sócia dependente e é uma das mais assíduas. ‘‘Aqui é o paraíso. Desde que comecei a vir, cuidar de mim virou uma prioridade’’, observa ela, que agora tem que lidar com o preconceito das outras pessoas. ‘‘Quando digo aos meus amigos que vou à sauna, eles assustam, perguntam se eu vou trabalhar como massagista’’, conta.
A idéia de que saunas são locais de prostituição é tão generalizada, que os funcionários do local já se acostumaram a ter que explicar que ali é diferente. ‘‘Muitos homens ligam para saber se o serviço é do tipo relax for man. As secretárias já passaram por situações constrangedoras’’, conta o advogado e presidente da sauna Caio Terenzi. Ele lembra que desde que foi criado, em 1965, o lugar é aberto às esposas dos associados.

mockup