Quem tem filhos pequenos sabe a dificuldade e o trabalho que dá para frequentar alguns lugares com as crianças. Uma simples compra de supermercado se transforma em uma maratona de 'não, a mamãe não vai levar tanto doce', 'deixa isso no lugar', 'cuidado com o carrinho' e por aí vai. Um almoço tranquilo de domingo acaba se resumindo em uma refeição rápida e conturbada porque criança come pouco e não tem paciência para ficar sentada por horas em uma cadeira ouvindo conversa de adulto.
Para ajudar os pais nessa hora e ganhar clientes, muitos estabelecimentos comerciais já oferecem opções de locais próprios para os pequenos. São parquinhos, salas de vídeo e espaços para jogos onde as crianças podem brincar enquanto os pais fazem compras ou se divertem. O proprietário da Churrascaria Rancho Grill, João Batista Barros, explica que o estilo de vida moderno torna fundamental ter um lugar para crianças em restaurantes. ''Hoje em dia todo mundo sai com os filhos para comer. Não existe mais essa coisa de babá, de deixar com a avó'', diz.
No ramo de restaurantes há mais de 15 anos, João e a esposa, Nadia Dakkach de Almeida Barros, resolveram instalar um parquinho em seu restaurante para resolver problemas que eles vivenciaram. ''Na época tínhamos filhos pequenos e sabíamos das dificuldades de sair com eles, por isso resolvemos instalar o parque'', conta ela. O detalhe é tão importante que o casal resolveu reformar todo o espaço. ''Vale a pena investir porque hoje quem escolhe o programa muitas vezes são os filhos. Quem não pensar nisso vai acabar perdendo clientes'', afirma João.
Sugestões O advogado Mário Marcondes, garante que não vai a restaurantes que não tenham local para a filha, Mariana, de 10 anos. ''Nosso tempo de permanência é demorado e ela não tem paciência de ficar à mesa. Aqui a gente pode comer sossegado sabendo que ela está brincando com segurança'', diz. Mariana também aprova a escolha do pai. ''Quando não tinha parquinho, eu ficava correndo e andando em volta da mesa. Meu pai dizia que devia ter prego na minha cadeira porque eu não conseguir ficar parada''.
O parquinho do restaurante que Mariana tanto gosta também passou por reformas, feitas a pedido da garotada. ''Temos um cartão para sugestões e muitas crianças pediram para melhorar o parquinho. O lugar também tem um espaço para desenhos e existe uma mulher que fica cuidando das crianças nos finais de semana'', diz o subgerente da churrascaria Galpão Nelore, Laidir de Césaro. Cuidar da segurança dos pequenos também foi uma preocupação dos proprietários quando decidiram melhorar o parquinho. ''É meio perigoso as crianças ficarem correndo pelo salão, porque nossos garçons transitam com facas e pode acontecer algum acidente'', comenta.
O publicitário André Monteiro, pai de duas crianças, conta como o parquinho ajuda, apesar da maratona. ''Como o Gregório ainda é muito pequeno, não dá para deixá-lo sozinho no parquinho. Aí o negócio é revezar. Uma hora vem a mãe, depois a avó, o pai... Assim todo mundo pode comer e ele fica tranquilo'', diz.
Sossego para comprar Mas não são só os restaurantes que pensam na diversão dos filhos para agradar os pais. Já existem lojas e supermercados que construíram verdadeiros mundos mágicos para entreter os pequenos. Na Todimo Londrina, as crianças podem brincar com imãs nas paredes magnetizadas, com a lousa pintada na parede ou com os brinquedos lúdicos e pedagógicos. Segundo o gerente comercial da loja, Renato Lopes, cerca de 50% dos consumidores que vão à loja, principalmente aos sábados, estão acompanhados de crianças pequenas. ''Com os filhos brincando de forma segura, os pais ficam mais tempo na loja, ampliando o interesse em ver os produtos e aumentando a chance de compras'', avalia.
Até locais que muitas vezes lucram com a presença das crianças estão investindo nos parquinhos. A gerente de caixa do supermercado Carrefour de Londrina, Nelci de Lima Martins, diz que vale a pena garantir a tranquilidade dos pais na hora das compras. ''As crianças não atrapalham se entrarem no mercado, até ajudam a vender pedindo as coisas. Mas o parquinho auxilia nas vendas porque têm muitos pais dão preferência a essa loja por causa dele'', garante. Equipado com brinquedos de plástico, cama de bolinhas e vídeo, o lugar é mais atraente para as crianças do que as guloseimas do supermercado. ''A cama de bolinhas é o brinquedo preferido. Tem criança que fica aqui por horas e chora na hora de ir embora'', revela.
E tanta procura acabou exigindo a criação de algumas regras. Há uma monitora o tempo todo no local, apenas crianças até 1,20 metro de altura podem entrar no parquinho, e bebês até 2 anos devem estar acompanhadas por um adulto. ''Nunca tivemos nenhum acidente nem brigas entre as crianças, mas preferimos definir algumas regras de uso do parquinho para garantir a segurança'', diz Nelci. Segundo ela, o próximo passo é definir um tempo máximo de permanência no parquinho para que todos possam participar, pois têm crianças que ficam esperando uma ''vaga'' para entrar.

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