Longe de casa
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Com a chegada dos vestibulares e a mudança de muitos estudantes para outras cidades, é necessário que os pais pensem onde os filhos irão morar. Além das repúblicas, outra opção bastante procurada são os pensionatos. Neles, a liberdade é um pouco menor, mas em compensação a casa está sempre arrumada, a roupa passada e a comida pronta na mesa, o que é um ótimo diferencial para as mães aflitas pelo bem-estar dos filhos.
''Aqui existem algumas regras que precisam ser respeitadas, mas eu aviso os hóspedes já na entrada. Quando eles saem, têm de me avisar aonde vão e a que horas voltam; os horários devem ser de acordo com a recomendação dos pais de cada um. Trazer namorados aqui em casa também não pode'', diz Sônia Rocha, proprietária da Pousada Igapó.
Mas o rigor não impede que os hóspedes, na maioria meninos entre 15 e 21 anos, tenham muito carinho pela Soninha, como todos a chamam. ''Resolvi morar aqui porque é perto da minha escola. Morar em pensionato é bom porque não preciso me preocupar em cozinhar, arrumar a casa, lavar roupa. Outra vantagem é que a gente tem com quem compartilhar a vida, e a Soninha ajuda a gente em muita coisa'', comenta o estudante Ramon Marques, 18 anos, que está há seis meses morando no pensionato.
''Eu me preocupo como se fosse mãe deles. Esquento comida quando eles chegam, não durmo enquanto um deles estiver na rua, cuido quando estão doentes. Para mim, é como se fossem meus filhos. Chego a chorar de saudades quando eles vão embora nas férias'', completa Soninha.
Como na maioria dos pensionatos, na casa dela os hóspedes dividem quartos duplos e, quando algum problema aparece, é ela quem precisa resolver. ''Nunca tive briga aqui. Graças a Deus sempre recebi só gente muito boa. Mas já aconteceu de eu ter que remanejar um menino do quarto porque ele roncava muito e o companheiro não conseguia dormir. Faço o que for possível para que todos se sintam bem'', garante Soninha.


