Marcos BorgesPara o casal Newton Expedito e Lavinia Monteiro, o sucesso dos filhos compensa a dor da partidaA saída dos filhos da casa dos pais para estudar, trabalhar ou casar é sempre dolorida. Mesmo sabendo que esse alçar de vôo é inevitável, os pais nunca estão preparados para essa separação. Ao contrário dos norte-americanos, que incentivam a saída dos filhos de casa depois de uma certa idade, os brasileiros tentam retardar ao máximo o momento da partida.
Na opinião da psicóloga clínica Nione Torres, essa dificuldade em lidar com a separação está muito relacionada com a educação familiar. ‘‘No Brasil, os pais estão sempre se culpando por não terem feito mais pelo filho. Além disso, encaram essa partida como uma ruptura e não como um processo natural e necessário. Já os norte-americanos privilegiam muito a autonomia dos filhos. Essa valorização começou a partir dos anos 20 com o desenvolvimento tecnológico do País, que passou a exigir que as pessoas fossem mais independentes’’, explica a psicóloga.

Josoé de Carvalho‘‘A separação deve acontecer num clima de proximidade afetiva’’, diz a psicóloga Nione TorresNione Torres ressalta que os pais deveriam se preocupar mais com aquele filho que não manifesta desejo de sair de casa. ‘‘Por trás desse comportamento pode estar uma pessoa insegura e com medo de enfrentar desafios. É preciso ter consciência que não somos eternos, portanto, quando os pais morrerem esse filho terá dificuldades de viver sem a proteção paterna’’. Segundo a psicóloga, a vontade de sair de casa, geralmente, se manifesta na adolescência. ‘‘É quando surge a necessidade da busca pela identidade e o desejo de enfrentar coisas novas. Antes, os filhos iam para o exterior para cursar pós-graduação, hoje, eles vão para fazer a high school’’, compara a psicóloga.

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