Livres, leves e soltos
Ao lado dos clássicos ternos, uma peça inusitada surgiu nas passarelas masculinas durante os desfiles de inverno. Para muitos, a imagem era para lá de esquisita. Afinal, saia parece combinar somente com pernas lisinhas e andar cadenciado, atributos essencialmente femininos. Os estilistas, entretanto, querem alterar essa regra fashion. Segundo eles, a saia pode substituir as calças e virar mais uma opção no guarda-roupa dos homens.
Ela foi mostrada por várias marcas internacionais, até mesmo pelas mais básicas, como Ralph Lauren. Isso é um sinal de que vai acontecer, garante o estilista mineiro Renato Loureiro, que fez versões da saia kilt (escocesa) em cores lisas e tecidos como microfibra, couro, tweed e lã. Ele aconselha usá-la com jaqueta, para um look mais casual, ou com gravata, camisa social e paletó, inventando um novo terno. Se usada por cima de calças, foge da idéia original e vira um acessório. Gosto dela assumidamente saia, apenas com cueca por baixo, diz. Nos pés, tênis ou bota com meião. Para dar um aspecto masculino, tem que ser um sapato pesado, ensina.
Apesar de ser tendência internacional, certamente não se verá por aqui muitos marmanjos exibindo as pernas. Renato avisa que a intenção não é generalizar a moda, tampouco propor radicalismos na forma atual de vestir. Como está fora da tradicional vestimenta masculina, vai atingir só o público fashion, pessoas que gostam de ser notadas. Acho que a saia cai muito bem em cantores e bandas de rap , sugere. De acordo ele, seria preciso quebrar muitos tabus para a masculinidade deixar de ser associada ao uso de calças. Mas acho que hoje os homens de saia não vão chamar tanta atenção como há 20 anos. Acredito que será visto como algo diferente, não como absurdo.
Modelo unissex, da ZappingÉ bem provável que já não cause o mesmo espanto provocado em 1956 pelo engenheiro e artista plástico Flávio de Carvalho, que saiu pelas ruas do centro de São Paulo de saiote plissado para protestar contra o uso de terno nos trópicos. O estilista Carlos Miéle achou a idéia tão interessante que resolveu repetir o passeio, numa performance que reuniu, no final do ano passado, 30 homens de saia na Avenida Paulista. Tudo para mostrar que essa é uma solução inteligente para a vida contemporânea. Não tem muito sentido usar terno no Brasil; é uma herança da colonização, denuncia.Saia em alfaiataria, de Marcelo Sommer: conforto e praticidadeFotos: divulgaçãoLook da M. Officer: menos estresse e melhores condições respiratóriasRosângela Vale





