Todo ano é a mesma coisa: chega o verão e, com ele, várias novidades para eliminar os piores inimigos femininos: celulite, estrias, flacidez e os quilinhos extras. São cremes, receitas, modalidades esportivas, procedimentos estéticos e cirúrgicos que prometem preparar o corpo para as roupas curtas do clima quente de forma rápida e eficaz.
Para a temporada 2006/2007, a maravilha está por conta da minilipo, ou lipo light. A promessa é eliminar as gordurinhas com rapidez e preço baixo, além da recuperação em apenas um dia e a realização do procedimento no consultório médico, muitas vezes sem a presença de um anestesista. Mas os riscos reais desse tipo de cirurgia podem enganar grande parte dos interessados.
Segundo o cirurgião plástico Sérgio Eduardo da Silveira Vianna, muitas vezes os procedimentos são apresentados de forma errada na mídia. ''Várias técnicas que alguns médicos dizem ser novidade, na verdade já são usadas há bastante tempo. Apenas colocam um nome diferente e afirmam que é algo revolucionário para atrair a atenção das pessoas'', explica.
O especialista se refere ao método pela qual a minilipo é realizada. Inicialmente, o médico utiliza microcânulas inseridas na pele para injetar soro fisiológico com adrenalina no local a ser trabalhado para diminuir o sangramento. Em seguida, microcânulas de lipoaspiração são introduzidas no mesmo local para realizar a retirada da gordura.
''O soro e adrenalina são usados em lipoaspirações há muito tempo e as cânulas disponíveis hoje em dia já são micro, independentemente do tamanho do procedimento. A técnica é exatamente a mesma usada na lipoaspiração convencional'', garante Vianna.
A denominação mini ou light, segundo ele, é usada para ilustrar o procedimento em pequenas áreas do corpo e com pequeno acúmulo de gordura. ''Nesses casos, principalmente quando a área trabalhada é pequena, não há a necessidade de anestesia geral ou peridural. Apenas a anestesia local já é suficiente. Isso dá uma falsa impressão de que o procedimento é mais fácil e oferece menos riscos'', explica.
Exatamente por passar a idéia de um tratamento estético sem perigo, a minilipo desperta a preocupação de muitos profissionais. ''O melhor lugar para um paciente realizar uma cirurgia com segurança é no centro cirúrgico, onde temos à mão todos os equipamentos e medicamentos que necessitamos em uma emergência'', alerta Vianna.
Irresponsabilidade Outro risco para quem decide fazer uma lipo light ou mini é a falta de preparo de alguns profissionais. ''Atualmente existe uma grande 'onda' no segmento da estética em que médicos de outras especialidades buscam cursos rápidos para atuarem nesse setor. Para o profissional ter domínio completo dessa técnica são necessários dois anos de especialização em cirurgia geral e três anos em cirurgia plástica. Os cursos rápidos de medicina estética são uma irresponsabilidade. É muito importante que o paciente procure informações sobre seu médico a respeito da formação e especialização'', aconselha o cirurgião plástico paulista José Enéas de Souza Cortes, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
O perigo mais grave da minilipo é a quantidade de anestésico necessário para realizar o procedimento. ''Existe um limite suportável pelo corpo. O problema é que para fazer uma minilipo no abdome, por exemplo, o médico necessita de muito anestésico para cobrir toda a área trabalhada. Esse excesso pode provocar convulsões, parada cardíaca e até levar o paciente à morte', alerta Vianna.
Segundo ele, os locais onde a lipo é feita com anestesia local sem o risco de complicações são, geralmente, o queixo e a parte interna dos joelhos. ''Mas é possível fazer uma minilipo no culote desde que a área seja de pouca extensão e esteja numa região pequena do corpo. Isso precisa ser avaliado pelo médico'', lembra.

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