Limites e conquistas
A estudante Nicolle Araújo Machado, 14 anos, acha um pouco exagerado o cuidado excessivo dos pais. Sou superprotegida, sim, julga. Eles estão sempre a postos para levar e buscar das atividades escolares e também não abrem mão do compromisso quando a diversão é em clubes e boates. O celular é uma segurança extra.
Para Nicolle, esse cuidado acaba atarefando demais, sobretudo a mãe, a psicóloga Deise Mara. Entre as razões da proteção em tempo integral, Nicolle destaca uma grande preocupação com a falta de segurança, uma boa dose de ciúmes e, também, o medo de a gente crescer.
De personalidade forte, como ela mesma se define, Nicolle diz que questiona os limites impostos pelos pais e aí, vai conquistando seu espaço. As batalhas, muitas vezes, tiveram etapas vencidas pela irmã mais velha, Caroline, de 17 anos. O início do meu namoro com Daniel, de 16 anos, foi fácil. O caminho já estava aberto, admite
É justamente no quesito namoro que os pais redobram a proteção. A mãe vê aí dificuldades de impor limites. Hoje é tudo muito natural, como elas mesmas dizem, mas existem padrões que têm que ser mantidos. Todo diálogo e orientação neste sentido está na preocupação de que não venham a fazer coisas que possam se arrepender mais tarde, como uma gravidez indesejada, afirma.
Deise identifica traços de superproteção na educação das filhas. Observa que o medo real, como na questão da segurança, se mistura com um temor imaginário. Elas são o que temos de mais precioso e, querendo poupá-las de qualquer sofrimento, às vezes erramos.
Para Deise, tanta atenção tem como resultado filhas responsáveis, tranquilas. Algumas vezes, ela abdicou da atividade profissional para estar mais presente em casa; em outras, acumulou funções: A prioridade sempre foram elas e não me arrependo de tamanha dedicação. (V.A.P)





