Nenhum outro tema relacionado ao comportamento humano rendeu tantos livros, filmes e peças de teatro como a traição. A explicação pelo fascínio que esse assunto exerce sobre cineastas e escritores é simples: o adultério sempre resulta em histórias picantes e com consequências desastrosas. Obras como ‘‘Madame Bovary’’, de Gustave Flaubert e ‘‘Othello’’, de William Shakespeare tornaram-se clássicas tendo a infidelidade como tema central, demonstrando que a traição não é um comportamento típico da sociedade moderna.
Pesquisas mostram que, desde a antiguidade, as relações extraconjugais fazem parte do relacionamento humano nas mais diferentes culturas. A antropóloga norte-americana Helen Fisher, autora do livro ‘‘Anatonia do Amor’’, após estudar 42 etnias de épocas, idades e classes sociais distintas, descobriu que a traição existia em todas elas.
Mesmo as sociedades que consideravam o adultério um crime hediondo, conseguiram abolir as escapadas extraconjugais. Mas, afinal, o que caracteriza uma traição? O conceito também muda de cultura para cultura. No Islamismo, por exemplo, a mulher não pode sequer conversar com outro homem que não seja seu marido. Para ilustrar esse conceito, Helen Fisher relata em seu livro uma pesquisa em que 74% das pessoas entrevistadas responderam que para haver traição não é preciso, necessariamente, existir sexo.Foto: Mário Cesar; modelos: Fernanda Guerra, Vera Kopp e Lucas Alexandre Franzon

Às vezes, a traição pode salvar um relacionamento em crise. Mas isso é raro de acontecer. A tendência é a separação

Daniel Procópio

‘‘A infidelidade acontece quando a relação deixa de ser gratificante’’, afirma a psicóloga Carmem Garcia de Almeida







Texto e Produção
Celso Mattos

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