Ligações perigosas
Alguns operadores de telemarketing reconhecem que já ligaram para pessoas em horários absolutamente impróprios. Já liguei para um antigo candidato a cliente e descobri que ele tinha acabado de ser enterrado. Acabei consolando um dos seus parentes, conta o operador Gildo Fagundes.
A vendedora Maria Helena Rodrigues costuma ser confidente dos seus clientes. Ouve desabafos, dá conselhos e procura sempre ser atenciossa antes de oferecer o produto. Seu último negócio ela fechou enquanto o cliente assava uma picanha na churrasqueira. Eu podia ouvir o barulhinho da fritura na chapa, conta Maria Helena, que prefere ganhar um amigo do que ofender um cliente.
A lista de locais impróprios é enorme. Tem vendedor que liga no meio de cirurgia pelo celular do médico, em motel, quando alguém está com o carro quebrado no meio de uma estrada e, para não criar constrangimento, acaba entrando no espírito da coisa. Se o momento for de alegria, estamos muito otimistas. Se for de tristeza, falamos com todo o respeito. Sempre criamos empatia com o cliente e fazemos grandes amizades, conta o operador Sergio Fischer, um dos líderes em venda de assinaturas da Folha do Paraná.





