Os manuais de etiqueta e boas maneiras sempre estiveram ao alcance das pessoas preocupadas em saber como se comportar à mesa ou receber uma visita ilustre para um jantar formal. A exemplo dos livros de auto-ajuda, essas publicações sempre foram consideradas um filão do mercado editorial, pois ninguém quer correr o risco de cometer uma gafe em público. Mas, nos últimos anos, a atenção dos consultores de etiqueta se voltou para um outro tipo de leitor: a criança.
É cada vez mais comum encontrar nas prateleiras das livrarias obras como ‘‘Etiqueta e Boas Maneiras para Crianças’’, ‘‘Palavras Mágicas’’, ‘‘Não Fale de Boca Cheia’’ e a coleção ‘‘Boas Maneiras’’ que orienta as crianças a se comportarem adequadamente em casa, na rua, na escola e em lugares públicos. O diferencial desses manuais, com relação àqueles direcionados aos adultos, é que eles não ensinam apenas regras de refinamento como, por exemplo, não cortar o espaguete.
Além de ensinar como atender ao telefone e se comportar à mesa, os manuais infantis trazem algumas regras de civilidade e ressuscitam palavras esquecidas no vocabulário da garotada como ‘‘obrigado’’, ‘‘desculpa’’ e ‘‘por favor’’. Bem ilustrado e com linguagem dirigida à criança, ‘‘Não Fale de Boca Cheia’’, escrito por Suzana Doblinski em parceria com Albertina Costa Ruiz, ensina que é preciso respeitar os empregados, os amigos e os mais velhos. Mostra ainda que não se deve jogar lixo na rua e como cuidar da higiene pessoal.
Atitudes valiosas Em ‘‘Etiqueta e Boas Maneiras para Crianças’’, a autora Felicia Assmar Maia vai além e dá ênfase às noções de relacionamento e socialização, procurando resgatar atitudes valiosas de convivência que estão sendo esquecidas. O livro reforça a importância da pontualidade, de respeitar filas e não falar alto em lugares que exigem silêncio como cinema, teatro, biblioteca, hospital e igreja.
Sintonizados com o tempo, os manuais também trazem regras de segurança como não fornecer endereço, número de telefone ou localização da escola ao conhecer pessoas na Internet. E também orienta a não se aproximar de estranhos e nem reagir a um assalto.
De acordo com as psicólogas Ana Lúcia Hermandes e Emilianna Faria, de Londrina, os manuais de etiqueta e boas maneiras devem ser usados como instrumentos. ‘‘Eles não podem assumir o papel dos pais na educação dos filhos’’, afirma Ana Lúcia. Para Emilianna, é importante que os pais leiam os livros junto com os filhos para esclarecer as dúvidas e, desta forma, participar da vida da criança.
Ela acrescenta que não adianta os pais comprarem esses manuais se eles próprios não se comportam como tal. ‘‘Eles são modelos para os filhos e, portanto, devem servir de exemplo’’. Segundo Ana Lúcia, é preciso ter cuidado para que essas publicações não deixem a criança excessivamente educada ao ponto de ela ser motivo de chacota para os amiguinhos. ‘‘A criança não pode ser educada sem levar em conta o meio em que ela vive. Esse equilíbrio deve ser administrado pelos pais’’. A psicóloga lembra que não existe receita para se educar um filho, portanto, é preciso ter bom senso e muita dedicação.
Agradecimento: Livros & Livros e El Shaddai – Livraria e Locadora

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