Lição em família
Entre as muitas preocupações que os pais têm com os filhos, soma-se a participação com a vida escolar. Além de pais, eles precisam ser também um pouco professores e pesquisadores para auxiliá-los nas tarefas de casa. Muitos deles precisam se atualizar para acompanhar as mudanças metodológicas adotadas pelas escolas nos últimos anos. Junta-se aí uma dose de psicologia para saber até aonde se pode ir para não criar dependência.
Saber o limite dessa colaboração, é outra dificuldade que os pais encontram na hora de ajudar os filhos nos deveres de casa. Para Denise Ferraz de Aguiar Rasuk, 38 anos, mãe de Mariana, 10 anos, que está cursando a 4ª série, é preciso ter muito jogo de cintura para não confundir as coisas. Quando ela era mais nova, eu tinha que estar mais presente e ter uma participação maior na hora de fazer as tarefas. Mas, agora, o meu papel é mais de supervisora e orientadora porque a Mariana está mais independente, observa.
Mas Denise Rasuk lembra que no ano passado a situação foi crítica. A 3ª série foi muito pesada e a quantidade de tarefas era muito grande. Muitas coisas eu não sabia e tive que voltar a estudar para ajudá-la. A matemática foi o grande problema. A metodologia de ensino mudou muito, e a Mariana não aceitava o meu jeito de ensinar. Quando as coisas apertavam, eu pedia socorro à filha de uma amiga que estava fazendo cursinho pré-vestibular, assume Denise Ferraz.
Mário CesarPara Cereja Matsubara, o mais difícil é encontrar a maneira correta de orientar GiovannaEla conta que, atualmente, as coisas estão mais tranquilas. Fico mais na orientação dos trabalhos e pesquisas em livros e na Internet. Mostro o caminho e ela se vira sozinha. Mas não deixo de acompanhar diariamente a vida escolar da Mariana porque essa participação é muito importante, ressalta a mãe.
Na opinião de Cereja Matsubara, 39 anos, mãe de Giovanna, 8 anos, ajudar a filha a fazer os deveres escolares funciona também como um momento de afetividade. Eu trabalho fora o dia inteiro e tenho pouco tempo para estar com ela. É uma forma de unir o afetivo ao cognitivo. Para ela, a maior dificuldade é encontrar a maneira correta de explicar os exercícios. Na maioria das vezes, a Giovanna sabe a resposta, mas ela quer saber como se chega ao resultado, conta.
Cereja Matsubara já está se preparando para o próximo ano quando Giovanna vai cursar a 3ª série. Vou precisar rever um pouco de matemática e gramática para orientá-la. Mas, por outro lado, ela estará mais crescida e saberá se virar sozinha. Ao falar sobre isso, Cereja recorda que, atualmente, os filhos estão mais dependentes nesse sentido. Meus pais nunca me ajudaram a fazer deveres escolares. Mas não reclamo, pois acho importante esse contato mais direto com vida educacional da Giovanna, afirma ela.Josoé de CarvalhoDenise Ferraz Razuk teve que rever conceitos matemáticos e regras gramaticais para ajudar a filha MarianaCelso Mattos





