Depois de tomar o café da manhã e de escovar os dentes, o estudante Guilherme Mori, de 10 anos, já sabe que as tarefas escolares estão esperando por ele, já que o garoto estuda no período da tarde. No quarto dos pais, onde fica a mesa de estudos, ele passa pouco mais de 1 hora por dia dedicado às lições. A mãe, Beatriz Demenech Mori, conta que nunca teve dificuldades em estabelecer o horário dos estudos em casa, pois desde pequeno Guilherme mostra-se interessado e empenhado.
"Há dois anos, eu ficava sentada ao lado dele para tirar as dúvidas e explicar os enunciados. Agora, dou apenas uma passadinha para saber se está tudo bem; quando ele termina a tarefa, verifico o que fez. Aproveito esses momentos para elogiar também", conta Beatriz, que é professora de inglês, mas há quatro anos dedica-se exclusivamente à família.
Na opinião de Patricia Michella Martins, diretora da Escola Alternativa, os primeiros anos na escola precisam ser vistos com atenção especial. Nesse período, a presença dos pais na hora da tarefa é essencial. "Durante a alfabetização, que ocorre por volta do 1º e 2º ano, o aluno vai apresentar mais dúvidas, por isso é necessário paciência para ajudar. Gritar quando a criança mostra dificuldades não resolve e até pode prejudicar o aprendizado", alerta Patricia.
No entanto, depois de alfabetizada, chega o momento de dar autonomia para que a criança faça as tarefas sozinha. "Se ela tiver dúvidas, deixe claro que poderá perguntar. Sentar junto nessa fase eu não aconselho, a não ser em casos especiais, de crianças com dificuldades de aprendizagem".
E para prevenir problemas no futuro, a educadora orienta estabelecer as regras desde cedo, mostrando à criança que as tarefas são de responsabilidade dela. "O mais importante é que os pais fiscalizem, olhem o que está sendo feito em casa".
Para os alunos maiores, do 5º ao 8º ano, a didática com relação às tarefas torna-se mais rigorosa. De acordo com Patrícia, nessa faixa etária as lições passam a valer nota, devido a problemas com indisciplina. "Os alunos são mais resistentes, porém, quando não entregam a lição, os pais ficam sabendo, pois eles assinam uma ocorrência, que vai para casa via agenda escolar", conta a diretora.

Somando forças

Mais do que simplesmente fazer exercícios e pesquisas, a lição de casa serve de estímulo para que o aluno reconheça as atribuições de seu papel de estudante, ressalta Marize Rufino, diretora do Colégio Marista. "A criança é curiosa por natureza, gosta de conhecer coisas novas, e logo descobre que sem o investimento pessoal de debruçar-se sobre o objeto de estudo não vai conseguir avançar", conta a diretora.
Assim como outros educadores, Marize acredita que a parceria entre a escola e os pais é essencial no desenvolvimento do aluno. "A escola não faz nada sozinha, é preciso somar forças. Pai e mãe precisam estar presentes, mas jamais fazer a tarefa pela criança. Na verdade, eles são elementos de apoio com a função de mostrar para a criança que ela não está só, e que aquilo que ela produz é valorizado", explica.
Na prática, a educadora recomenda que não é preciso dar a resposta pronta, mas quando surgirem as dúvidas, os pais tem de incentivar a criança a pensar para que ela possa raciocinar sozinha. "Não basta entrar no carro e perguntar ao filho como foi seu dia. É preciso mostrar interesse e participar da vida escolar de fato".
Com relação ao tempo necessário para a realização das tarefas, a diretora acredita que a dosagem deve se adequar às diferentes faixas etárias. Não é preciso passar a tarde inteira estudando, mas organização e disciplina são fundamentais. "O estudo em casa exige rotina, é sacrificado, mas faz parte da vida escolar", acrescenta.

Autonomia nos estudos

Diferentemente do conceito antigo, quando as lições eram usadas como castigo, hoje as atividades escolares em casa são vistas como ferramenta que favorece a construção da autonomia diante dos estudos, aponta Maria Antonia Fantaussi, diretora da Escola MAF.
Na escola, um método diferente tem estimulado os alunos a realizar as atividades de forma criativa. Do 1º ao 8º ano, as lições feitas em casa envolvem a apresentação do conteúdo aos colegas em sala de aula. Se a tarefa foi resumir uma obra, os estudantes poderão utilizar recursos como vídeos, músicas e textos para repassar o que aprenderam. "Cada aluno apresenta o conteúdo a sua maneira", explica Maria Antonia.
Segundo a diretora, a tarefa não é mera repetição do conteúdo visto durante as aulas, e também deve estar contextualizada com a prática pedagógica aplicada pelo professor para que o aluno perceba que ela tem significado.
Ao estabelecer uma rotina para a criança, a educadora recomenda definir um horário para os estudos, providenciando um local tranqüilo, bem iluminado, longe da tevê e do videogame. "Aos pais cabe pedir para ver a lição e valorizar o que a criança já aprendeu. Outra dica é incentivar a fazer o que foi proposto da melhor forma possível, mostrando interesse pela qualidade da produção. Caso a criança não tenha entendido o que era para ser feito, peça para ela perguntar à professora no dia seguinte", sugere a educadora.


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Guilherme Mori, de 10 anos, aluno do Colégio Marista, dedica pouco mais de 1 hora diária às tarefas. A mãe, Beatriz Demenech Mori, conta que desde pequeno o garoto é dedicado aos estudos
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"Pai e mãe precisam estar presentes, mas jamais devem fazer a tarefa pela criança", diz Marize Rufino, do Colégio Marista
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"Durante a alfabetização, os pais precisam dar atenção especial e ter paciência com as tarefas. Gritar quando a criança mostra dificuldades não resolve e pode até prejudicar o aprendizado", alerta Patricia Michella Martins, da Escola Alternativa
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"Tarefas deixaram de ser castigo. Hoje são reconhecidas como ferramenta que favorece a construção da autonomia diante dos estudos", aponta Maria Antonia Fantaussi, da Escola MAF
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