Lição de casa
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Erica Shimamura<BR>Reportagem Local 
Depois de tomar o café da manhã e de escovar os dentes, o estudante Guilherme Mori, de 10 anos, já sabe que as tarefas escolares estão esperando por ele, já que o garoto estuda no período da tarde. No quarto dos pais, onde fica a mesa de estudos, ele passa pouco mais de 1 hora por dia dedicado às lições. A mãe, Beatriz Demenech Mori, conta que nunca teve dificuldades em estabelecer o horário dos estudos em casa, pois desde pequeno Guilherme mostra-se interessado e empenhado.
"Há dois anos, eu ficava sentada ao lado dele para tirar as dúvidas e explicar os enunciados. Agora, dou apenas uma passadinha para saber se está tudo bem; quando ele termina a tarefa, verifico o que fez. Aproveito esses momentos para elogiar também", conta Beatriz, que é professora de inglês, mas há quatro anos dedica-se exclusivamente à família.
Na opinião de Patricia Michella Martins, diretora da Escola Alternativa, os primeiros anos na escola precisam ser vistos com atenção especial. Nesse período, a presença dos pais na hora da tarefa é essencial. "Durante a alfabetização, que ocorre por volta do 1º e 2º ano, o aluno vai apresentar mais dúvidas, por isso é necessário paciência para ajudar. Gritar quando a criança mostra dificuldades não resolve e até pode prejudicar o aprendizado", alerta Patricia.
No entanto, depois de alfabetizada, chega o momento de dar autonomia para que a criança faça as tarefas sozinha. "Se ela tiver dúvidas, deixe claro que poderá perguntar. Sentar junto nessa fase eu não aconselho, a não ser em casos especiais, de crianças com dificuldades de aprendizagem".
E para prevenir problemas no futuro, a educadora orienta estabelecer as regras desde cedo, mostrando à criança que as tarefas são de responsabilidade dela. "O mais importante é que os pais fiscalizem, olhem o que está sendo feito em casa".
Para os alunos maiores, do 5º ao 8º ano, a didática com relação às tarefas torna-se mais rigorosa. De acordo com Patrícia, nessa faixa etária as lições passam a valer nota, devido a problemas com indisciplina. "Os alunos são mais resistentes, porém, quando não entregam a lição, os pais ficam sabendo, pois eles assinam uma ocorrência, que vai para casa via agenda escolar", conta a diretora.
Mais do que simplesmente fazer exercícios e pesquisas, a lição de casa serve de estímulo para que o aluno reconheça as atribuições de seu papel de estudante, ressalta Marize Rufino, diretora do Colégio Marista. "A criança é curiosa por natureza, gosta de conhecer coisas novas, e logo descobre que sem o investimento pessoal de debruçar-se sobre o objeto de estudo não vai conseguir avançar", conta a diretora.
Assim como outros educadores, Marize acredita que a parceria entre a escola e os pais é essencial no desenvolvimento do aluno. "A escola não faz nada sozinha, é preciso somar forças. Pai e mãe precisam estar presentes, mas jamais fazer a tarefa pela criança. Na verdade, eles são elementos de apoio com a função de mostrar para a criança que ela não está só, e que aquilo que ela produz é valorizado", explica.
Na prática, a educadora recomenda que não é preciso dar a resposta pronta, mas quando surgirem as dúvidas, os pais tem de incentivar a criança a pensar para que ela possa raciocinar sozinha. "Não basta entrar no carro e perguntar ao filho como foi seu dia. É preciso mostrar interesse e participar da vida escolar de fato".
Com relação ao tempo necessário para a realização das tarefas, a diretora acredita que a dosagem deve se adequar às diferentes faixas etárias. Não é preciso passar a tarde inteira estudando, mas organização e disciplina são fundamentais. "O estudo em casa exige rotina, é sacrificado, mas faz parte da vida escolar", acrescenta.
Diferentemente do conceito antigo, quando as lições eram usadas como castigo, hoje as atividades escolares em casa são vistas como ferramenta que favorece a construção da autonomia diante dos estudos, aponta Maria Antonia Fantaussi, diretora da Escola MAF.
Na escola, um método diferente tem estimulado os alunos a realizar as atividades de forma criativa. Do 1º ao 8º ano, as lições feitas em casa envolvem a apresentação do conteúdo aos colegas em sala de aula. Se a tarefa foi resumir uma obra, os estudantes poderão utilizar recursos como vídeos, músicas e textos para repassar o que aprenderam. "Cada aluno apresenta o conteúdo a sua maneira", explica Maria Antonia.
Segundo a diretora, a tarefa não é mera repetição do conteúdo visto durante as aulas, e também deve estar contextualizada com a prática pedagógica aplicada pelo professor para que o aluno perceba que ela tem significado.
Ao estabelecer uma rotina para a criança, a educadora recomenda definir um horário para os estudos, providenciando um local tranqüilo, bem iluminado, longe da tevê e do videogame. "Aos pais cabe pedir para ver a lição e valorizar o que a criança já aprendeu. Outra dica é incentivar a fazer o que foi proposto da melhor forma possível, mostrando interesse pela qualidade da produção. Caso a criança não tenha entendido o que era para ser feito, peça para ela perguntar à professora no dia seguinte", sugere a educadora.






