Lição de anatomia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Da Redação 
Mudar conceitos e derrubar barreiras da mulher sobre o próprio corpo é uma das metas da ginecologia e sexologia mais discutidas por médicos do mundo todo e muito defendida no recente Congresso Mundial de Ginecologia de Obstetrícia, em Santiago no Chile. Uma pesquisa denominada Diálogos da Vagina (não confundir com a peça teatral Monólogos da Vagina), apresentada por uma das sexólogas reconhecidas internacionalmente, a belga Goedele Liekens, deixa claro o alto grau de desconhecimento das mulheres sobre o próprio corpo.
A doutora defende a importância da medicina e da sexologia em contribuir no cotidiano dos consultórios para que mistérios e tabus sobre a vagina possam ser desmistificados e a mulher tire proveito de um maior entendimento sobre seu corpo, podendo aumentar sua satisfação sexual a até entender melhor as vantagens do uso de produtos por via vaginal.
Segundo a pesquisa, cerca de 50% das mulheres analisadas concordam que a vagina é a parte do corpo que as mulheres conhecem menos. Quase 80% delas acreditam que entender essa parte do corpo pode aumentar a satisfação sexual.
Aproximadamente, 60% pensam que a sociedade tem muitas informações equivocadas sobre a vagina. Para dificultar essa mudança cultural, 40% mostram que não se sentem confortáveis para falar sobre ela com os próprios médicos. Alguns homens também foram questionados nesta pesquisa e concluiu-se que eles têm percepção mais positiva sobre vaginas do que as próprias mulheres, o que reforça a necessidade de as mulheres estarem mais educadas sobre o assunto.
A nova era de medicamentos de administração via vaginal, como o anel contraceptivo Nuvaring, aborda o método como uma ferramenta de auxílio ao médico no trabalho de ajudar a mulher a conhecer mais o seu corpo e melhorar a qualidade da vida sexual e da rotina diária, pois a inserção do produto é feita por meio da flexão do anel com os dedos polegar e indicador que devem ser introduzidos na vagina. A inserção do anel representa uma oportunidade de incentivar a mulher a saber mais sobre a vagina..
Além disso, o uso de um contraceptivo pela vagina permite administração de menor dose de hormônios e aplicação uma vez ao mês, sem interferir na libido, como os métodos anticoncepcionais de ingestão oral, cujo princípio ativo passa pelo fígado e altera as quantidades de uma proteína, diminuindo a testosterona no sangue e podendo afetar a desejo sexual feminino.
Dar a oportunidade para as pacientes visualizarem o exame ginecológico, por um espelhinho ou televisão, foi outra alternativa mencionada por Goedele Liekens e que já está sendo utilizada nos consultórios de todo o mundo, especialmente aprovada por ginecologistas brasileiros que participaram do congresso, como Nilson Roberto de Melo, Gerson Lopes, José Bento de Souza e Malcolm Montgomery. n


