Lição com afeto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de junho de 2000
Angela Raizer Barbosa 
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Reprodução
Histórias como João e Maria servem de tema gerador em todos os conceitos trabalhados no Jardim I e II: resgate da magia e organização de sentimentos
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Fotos: Paulo Wolfgang
Maria Augusta Rossini e Athos Aramis Guedes, do Sistema Maxi de Ensino: proposta pedagógica obtém reconhecimento nacional
De todos os problemas familiares que podem afligir os pais, a educação dos filhos é a mais angustiante, afinal, é através dela que vai surgir o adulto bem resolvido de amanhã. A partir dos 3 anos, idade em que muitas crianças iniciam o período escolar, os pais se enchem de dúvidas sobre qual seria a melhor escola para seus filhos. Aquela que servirá de base para a continuidade dos estudos até ingressar na faculdade. Nesta seara complicada, os educadores procuram aplicar métodos que agradem aos pais e sejam proveitosos para as crianças. Assim, novas propostas de educação vão aparecendo, fugindo dos métodos tradicionais com suas etapas rígidas e um tanto superadas. O objetivo, além de proporcionar um ensino adequado, é a formação do ser humano num mundo de grandes transformações tecnológicas.
Da época mais antiga do tudo é proibido, em que as crianças ficavam subjugadas à tirania dos professores, à fase do tudo é permitido, quando os alunos ditavam as regras dentro da sala, muita pedagogia rolou até se chegar à conclusão de que era preciso encontrar um equilíbrio entre o proibido e o permitido, criando limites dentro de uma proposta mais abrangente. Esta nova proposta educacional já existe, leva o nome de Pedagogia Afetiva e foi apresentada recentemente pelo Sistema Maxi de Ensino em São Paulo, na VII Feira Internacional de Educação, obtendo o reconhecimento de mais de 400 escolas brasileiras. Fomos o único sistema educacional a oferecer uma proposta diferente e moderna. Todos reconheceram que a saída é a afetividade, diz Athos Aramis Pinto Guedes, diretor pedagógico do colégio.
Resgate do cotidiano A Pedagogia Afetiva, na verdade, é nova em termos de Brasil, já que o Maxi vem aplicando essa metodologia há três anos, do pré à 4ª série, e há dois anos, de 5ª à 8ª séries. Segundo a pedagoga Maria Augusta Rossini, supervisora pedagógica do Sistema Maxi de Ensino, a proposta despertou interesse por trazer à torna um aspecto quase esquecido no cotidiano das crianças. Nossa proposta dá um espaço maior para desenvolvimento do afeto, tanto na sala de aula como no dia-a-dia das crianças, pois a afetividade acompanha o homem do nascimento à morte, e até os 12 anos de idade o ser humano é extremamente afetivo.
Ao explicar o sistema desenvolvido pelo colégio, Maria Augusta diz que para fazer com que a afetividade se desenvolva de forma mais objetiva, é preciso trabalhar a educação da criança em três pontos básicos: estabelecer limites, resgatar mitos e ritos do cotidiano e dar ênfase aos ritmos internos. Ao estabelecer limites estamos correndo atrás do prejuízo que a permissividade causou, resquício de uma geração em que era proibido proibir, afirma. É preciso conscientizar a criança do que deve e não deve fazer. Pai, mãe, professor devem mostrar o caminho com firmeza, com severa doçura. Fazer isso sem medo, sem culpa.
Quanto aos mitos do cotidiano, a pedagoga faz referência às raízes, à figura dos pais, avós, do professor, almoço de domingo, contar histórias, brincadeiras de roda, datas comemorativas. Tudo isso é lembrado na sala de aula, nas reuniões com os pais, nos trabalhos da escola. É uma volta ao humanismo num período em que a educação se preocupa muito com o aspecto técnico, lembrando sempre que a tecnologia só é possível se quem a manipula estiver bem. O homem sente, pensa e age. Ele pode ter um Q.I. altíssimo, mas se o emocional estiver comprometido a ação não será eficaz, argumenta Maria Augusta.
O terceiro item da Pedagogia Afetiva está relacionado aos ritos (rotina, hábitos) e ritmos internos (fases do desenvolvimento humano). Na natureza tudo é cíclico e rítmico, e o ser humano faz parte dessa natureza, necessitando de ritos de passagem. Portanto, é preciso respeitar essas fases em todos os seus aspectos, do físico ao emocional, fazendo com que a criança sinta esses ciclos, observa a pedagoga.
Toda essa proposta pedagógica é desenvolvida com material didático elaborado pelo próprio colégio. No Jardim I e II, por exemplo, na alfabetização são utilizados módulos baseados nas histórias da literatura infantil, que resgatam a magia e falam diretamente à alma da criança, ajudando a elaborar sentimentos de medo, frustração, abandono, rejeição, conforto, esperança. É uma educação voltada para o ser humano dotado de corpo, espírito, razão e emoção, lembrando que aprender deve estar ligado ao ato afetivo, deve ser gostoso, prazeroso, acrescenta Maria Augusta Rossini.


