Mário CésarPara a comerciante Angela Maria de Castro, o revezamento é uma opção eficiente para driblar horários de pais e filhos‘‘Sou motorista dos filhos’’. Dificilmente alguém já não ouviu uma mãe afirmar isso. A escola, as atividades extracurriculares como inglês, natação, balé, judô, além das reuniões de trabalho na casa dos amigos, lotam as agendas das crianças, transtornando o dia-a-dia dos pais que são obrigados a driblar horários para conciliar suas atividades com as dos filhos.
Uma solução prática para muitas pessoas é o revezamento. Ele funciona, principalmente, para quem mora em edifícios e conta com vizinhança simpática e confiável, com filhos no mesmo nível escolar. É o caso da comerciante Ângela Maria de Castro, mãe de Carla, 12 anos, Carlos Eduardo, 8, e Caio, 3. ‘‘Eu faço revezamento com os pais de duas amiguinhas de minha filha, Taíssa e Lívia. Levo as garotas para a escola de manhã e, na hora do almoço, o pai da Taíssa vai buscá-las. À tarde é a vez da mãe da Lívia levar as meninas para as atividades extra-sala que o colégio promove: educação física, informática, entre outras’’, explica.

Milton DóriaHá 25 anos transportando escolares, Marlene Petrachin se orgulha de atualmente levar os filhos das primeiras crianças que transportouÂngela acredita que essa foi a melhor opção que encontrou. ‘‘Os pais que trabalham se vêem em dificuldades diante da necessidade de cumprir os horários de obrigação dos filhos e os seus próprios. Algumas vezes, estamos no meio de uma atividade e precisamos sair correndo para ir buscá-los. O revezamento permite nos programarmos melhor ’’, diz.
Para quem não conta com essa facilidade e dispõe de uma folga no orçamento doméstico, outra opção são os transportes escolares. A maioria dos motoristas que faz esse trabalho é composta por pessoas que sentem ou já sentiram na pele a dificuldade do corre-corre de quem tem filho na escola e precisa conciliar seus horários.

Marcos BorgesAlice Sodré revela que a procura por transporte escolar aumentou significativamente nos últimos cinco anosMarlene F. Petrachin é uma delas. Há 25 anos, ela descobriu na sua própria dificuldade em lidar com os horários dos filhos na escola, uma forma de aumentar o orçamento doméstico. Hoje, Marlene já está levando os filhos das primeiras crianças que começou a transportar. ‘‘As próprias escolas davam a maior força, o transporte escolar era uma necessidade que estava surgindo’’, lembra.
Alice Sodré começou da mesma maneira. ‘‘Meu marido comprou o carro de um amigo, achando que poderia ser um bom negócio. Carregava nossos filhos e os dos outros. Quando ele morreu, há dez anos, assumi o trabalho’’, conta. Nos últimos cinco anos, talvez por causa do aumento do número de mulheres que trabalham fora, a procura por transportes escolares cresceu significativamente. As pessoas encontram neles uma opção viável, segura e relativamente barata para resolverem seus problemas de tempo.

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