Geralmente considerado um problema passageiro, que causa bastante incômodo mas não tem maiores complicações, a afta atinge de 20% a 50% da população mundial. De acordo com o cirurgião-dentista Marcos Kuabara, coordenador do departamento de buco maxilo facial do Hospital do Câncer, de Londrina, trata-se do tipo de ulceração (lesão de curta duração) diagnosticada com mais frequência nas clínicas odontológicas. Ela se manifesta, principalmente, nas mulheres.
O dentista explica que a afta pode surgir logo nas primeiras semanas de vida, devido ao aparecimento precoce de dentes no recém-nascido, traumatizando a parte inferior da língua. Outras causas comuns são as alterações hormonais próprias da adolescência, o hábito de morder bochechas e lábios, a escovação incorreta, o uso de aparelhos ortodônticos, de próteses que machucam ou ainda a ingestão de alguns alimentos (sólidos, quentes ou apimentados, por exemplo) que venham a causar traumas na boca.
Segundo Kuabara, as alterações hormonais como o stress, hoje em dia tão frequente, acabam alterando o pH da saliva e facilitando a formação de aftas. ''A desnutrição, a carência de vitamina B12, ácido fólico e ferro e a queda de resistência também contribuem para essa lesão'', diz, informando que o problema pode estar relacionado a fatores genéticos.
Alerta O período de duração das aftas não costuma ultrapassar duas semanas, e a cicatrização acontece espontaneamente. É preciso estar atento, entretanto, àquelas lesões que nunca cicatrizam ou que vão e voltam com frequência: elas podem ser sinais de uma série de doenças - ou de fases delas, como é o caso da Aids e do carcinoma epidermóide. ''As aftas também podem ser confundidas com a infecção por fungos, conhecida como candidíase, e ainda estarem associadas a outras patologias bucais, como a gengivo estomatite úlcero necrosante'', explica o dentista.
Ele ressalta que o tratamento para as aftas requer, primeiramente, um bom diagnóstico. Em casos de muita dor, podem ser usados anestésicos e anti-inflamatórios e, algumas vezes, uma solução contendo hidróxido de alumínio para diminuir a acidez bucal. A redução do consumo de alimentos cítricos (sucos de laranja, limão, abacaxi) e de alguns condimentos também é indicada.
''Em casos de grandes lesões, que acabam sendo uma porta de entrada para infecções, podem ser necessários corticóides e antibióticos'', observa o dentista, que adverte para as complicações decorrentes do uso de soluções caseiras que, ao invés de ajudarem, podem agredir o organismo. Buscar o equilíbrio emocional, com alimentação natural, lazer e repouso é, segundo Kuabara, uma das formas de evitar o problema.

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