Se ler ajuda a formar cidadãos mais críticos e produtivos, escolher uma escola que coloque em prática estratégias para estimular a leitura além das aulas de Língua Portuguesa é uma tarefa que pode trazer bons frutos para crianças e jovens no futuro. O primeiro passo, recomenda o professor Rovilson José da Silva, do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é buscar conhecer como a equipe pedagógica do colégio lida com isso. "Como trabalham isso no dia a dia? A escola tem mecanismos que vão além da biblioteca para divulgar a leitura?", diz.

Além destes questionamentos, ensina o professor, os pais devem estar atentos em como os livros chegam aos alunos. "A escola precisa criar estratégias para que a leitura seja valorizada como complemento do ciclo de aprendizagem e formação do ser humano. É básico que criem oportunidades para que o estudante tenha acesso aos livros, a possibilidade de escolher obras e que, mesmo existindo uma mediação, haja espaço para que ele construa seu caminho como leitor", destaca Silva.

No Colégio Marista de Londrina, o contato com a leitura pauta o projeto "#LerCurtirCompartilhar". A iniciativa é trabalhada a partir da plataforma Blackboard, onde foi criada uma espécie de comunidade entre os alunos para discutir questões referentes à leitura. Além disso, uma vez ao mês a turma se reúne para trocar dicas, no encontro chamado de "Clube do Livro". "A proposta envolve tecnologia, a biblioteca e os professores de Língua Portuguesa, que incentivam os alunos a lerem além dos livros paradidáticos. O objetivo é que eles possam compartilhar com os amigos o que gostaram ou não nestas leituras, para que tenham a possibilidade de ler um livro que até então não se interessariam", explica a analista de tecnologia educacional do Marista, Alessandra Garcia.

A estratégia, observa a analista, tem ajudado também alunos mais tímidos a expressarem suas preferências literárias em grupo. "Quem não se sente à vontade para falar em sala de aula sobre isso tem a plataforma à disposição", comenta. A plataforma é ainda espaço para incentivar a prática do respeito e da tolerância com os colegas. Por enquanto, o "Clube do Livro" vem sendo realizado com alunos do 7º ano do Ensino Fundamental.

Aventuras e romances
Uma roda de conversas que desperta curiosidade para conhecer o que os colegas contam ter lido e imaginado. Assim são os encontros do "Clube da Leitura" promovidos mensalmente no Colégio Marista.

Os assuntos que mais têm interessado a garotada são histórias de aventura, romances e mitologia grega. As discussões do clube duram cerca de uma hora e são encerradas com um café da tarde. "Os alunos batem papo, dão sugestões para os colegas, leem trechos de livros juntos, levam exemplares para emprestar entre si", assinala a bibliotecária da escola, Márcia Müller.

Para ela, o encontro presencial do projeto "#LerCurtirCompartilhar" é uma estratégia a mais para estimular a leitura na escola. "Já na plataforma Blackboard, os estudantes podem colocar suas citações preferidas, fazer críticas, é um outro espaço para fomentar essa vontade de ler", explica.

O aluno Youssef Pettinate El Sayed, de 12 anos, diz aproveitar bem a forma como o colégio trabalha a leitura no dia a dia. "Também leio bastante em casa, tenho muitos livros", relata o menino, que devora um exemplar de 400 páginas em uma semana. Com a colega Ana Luiza Cortezão, de 13, não é diferente. "Enquanto não termino a história, não quero parar de ler. Gosto até de grifar alguns trechos", afirma a jovem.

Imagem ilustrativa da imagem Leitura além das tarefas
| Foto: Foto: Rei Santos
"Clube da Leitura" no Marista: roda de conversas desperta curiosidade entre os alunos
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