Lavagem especial
Marcos NegriniMarcelo Gracioto diz que além de lavar, é preciso borrifar um desodorante especial dentro dos tênis
Marcelo Henrique Gracioto, do Hospital do Tênis e Lavanderia Xô Xulé em Maringá conhece bem o problema. Sua empresa lava em média 40 pares de tênis e sapatos por dia. Na lavanderia, os calçados são colocados de molho em produtos químicos especiais que eliminam as bactérias. ‘‘Temos clientes assíduos que trazem seus tênis para lavar e higienizar. Uns já anunciam antes que é para a gente não reparar porque eles estão com cheirinho’’. Além da lavagem especial, ele recomenda ainda o uso de spray, uma espécie de desodorante para borrifar dentro do tênis, só para inibir o odor. Mas, o que mata mesmo as bactérias é o produto com que os tênis são lavados. ‘‘Para não ter chulé não se pode calçar tênis sem meia, com pé meio úmido, tem de estar bem sequinho. E nunca calçar tênis ou sapatos molhados.
Ao contrário do que se imagina, a época em que mais aparecem sapatos malcheirosos é no verão. ‘‘No inverno, as pessoas usam mais sapatos, mas nem todas transpiram tanto como no verão, quando a clientela aumenta’’.
E não são só tênis encardidos e sapatos de executivos (que passam mais de 10 horas calçados) que chegam à lavanderia. Muitas moças elegantes trazem seus sapatos e sandálias chulezentos para higienização. ‘‘Tem gente que traz chinelos e sandálias praticamente intocáveis de tanto cheiro de chulé, mas que depois de limpos mudam até a fisionomia dos seus clientes’’, diz Marcelo.Com o suor,
o talco forma
uma massa que
alimenta os fungos
e as bactérias
O nome científico do chulé é hiperidrose plantar. Segundo o médico dermatologista Luis Antonio Queiróz Albino, a causa mais comum é a produção excessiva de suor, que cria um ambiente favorável para o desenvolvimento de bactérias e fungos. Esse suor excessivo pode ser provocado por disfunções glandulares ou genéticas e de fundo emocional. ‘‘Quando são genéticas, há uma predisposição do indivíduo para essa transpiração exagerada que, associada a fatores emocionais (ansiedade, nervosismo, preocupação), pode estimular ainda mais as glândulas sudoríporas aumentando o problema’’.
Estímulo As pessoas que transpiram muito por disfunções glandulares costumam suar mais nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e nas axilas. ‘‘Se já existe essa predisposição, e por um estímulo nervoso o córtex libera a substância chamada acetilcolina, as glândulas produzem ainda mais suor’’, explica o médico.
Segundo o dermatologista, o mau cheiro geralmente não é por causa da transpiração, mas pelas bactérias e fungos. Os pés úmidos de suor propiciam um ambiente muito acolhedor para o desenvolvimento desses microorganismos. ‘‘Em geral, essa região transpira demais e é um local de atrito, com dobras na pele, onde começa a existir a proliferação de bactérias que provocam o mau cheiro. Com este ambiente propício e mais suor, o local fica ainda melhor para acolher fungos e micoses, mais conhecidos como pé-de-atleta’’, diz Albino. Ele conta que foi lançado recentemente no mercado um aparelhinho, vendido em importadoras, que ajuda a inibir a transpiração excessiva, mas só pode ser utilizado com avaliação médica.

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