A quarta doença crônica mais incapacitante do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a enxaqueca. Conforme dados da entidade, esta dor de cabeça intensa associada a outros sintomas atinge uma a cada seis mulheres e um a cada doze homens. O problema, no entanto, geralmente não recebe tratamento por ser subdiagnosticado.

A enxaqueca tem origem genética e costuma se manifestar na época da puberdade. O médico neurologista Carlos Alberto de Almeida Boer explica que é comum as mulheres terem crises mais marcantes no período menstrual. "Muitas gestantes deixam de ter crises após o terceiro mês e percebemos que as enxaquecas abrandam muito após a menopausa", afirma.

O meio externo e o estado emocional do indivíduo possuem uma forte influência sobre o surgimento das crises de enxaqueca. "Se a pessoa vive uma fase de muita ansiedade, ela estará mais sensível aos fatores desencadeantes e provavelmente terá mais crises", diz o neurologista.

Quem tem enxaqueca deve pensar na possibilidade de reduzir o consumo de alguns alimentos que podem predispor às crises. "Algumas substâncias químicas presentes nos embutidos, além de chocolates, álcool, glutamato monossódico e os alimentos gordurosos podem estar relacionadas às crises", salienta Boer. Alguns tipos de perfume, mudanças no horário do sono e períodos prolongados em jejum também parecem estar ligados ao problema.

O neurologista define que a enxaqueca é provocada por um conjunto de fatores e composta por uma série de sintomas que incluem não apenas a forte dor de cabeça, mas transtornos gastrointestinais e neurológicos. "Geralmente os sintomas iniciam com uma alteração visual, os pacientes frequentemente reclamam que veem borrões ou pontos brilhantes. Formigamento da face e dificuldade de articulação das palavras também podem aparecer", descreve Boer.

A doença precisa ser tratada de acordo com a intensidade e a frequência com a qual ocorre. O neurologista afirma que os indivíduos que possuem crises muito fortes e constantes podem fazer tratamento preventivo. O médico salienta que não existe uma medicação "padrão ouro" para enxaqueca. "Os remédios apresentam efeitos colaterais, por isso a necessidade e os benefícios reais da medicação devem ser avaliados individualmente", afirma.

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