Laser no tratamento com células-tronco
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quinta-feira, 09 de março de 2006
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
Apesar de ser quase uma novidade para a comunidade em geral, as células-tronco (CT) povoam a curiosidade dos cientistas e médicos há vários anos. E o tempo faz surgir tratamentos aparentemente inspirados em filmes de ficção científica.
O cientista canadense Michael Mangan, que esteve em Londrina em fevereiro para definir uma parceria de trabalho com os Laboratórios CAD, desenvolveu uma técnica que utiliza o laser para trabalhar com as células-tronco existentes em todo o corpo. ''Na América do Norte e Europa, as pesquisas com células do cordão umbilical representam 50% do total de trabalhos. Mas os grupos religiosos e a ética inibem muitas dessas pesquisas. Esses países preferem trabalhar com células adultas da pele'', explica.
Mangan, que estuda as células-tronco desde 1997, desenvolveu um aparelho capaz de detectar quais genes não estão funcionando corretamente no corpo. Descoberto o problema, ele utiliza um laser especial para ativar as CT da região afetada e regenerar o tecido. ''Os resultados dessa terapia para o tratamento de câncer têm sido muito bons e também já é possível usá-la para doenças genéticas e degenerativas, embora os estudos nessa área estejam apenas no início'', afirma.
Resultados promissores Ao conhecer o trabalho de Michael Mangan, o administrador de empresas londrinense Mário Diniz de Oliveira, 31 anos, decidiu ser voluntário nas pesquisas do cientista. ''Sofri um acidente de carro e perdi os movimentos e a sensibilidade do peito para baixo. Então comecei a estudar sobre o uso das células-tronco e de outros tratamentos que possam regenerar o tecido nervoso. Quando o Michael me explicou a técnica dele, achei muito interessante e acredito que possa ter bons resultados'', diz.
Ao que tudo indica, os efeitos já começaram a aparecer. Depois de três aplicações com o laser, Mário diz que voltou a ter uma leve sensibilidade na parte de trás do joelho direito. ''Sou muito cético e tive receio de os resultados serem coisa da minha cabeça. Por isso fiz testes de sensibilidade com um fisioterapeuta antes e depois das aplicações para comprovar. Fiquei impressionado'', conta.
Para o cientista, o futuro reserva muitas outras descobertas na área de células-tronco. ''Provavelmente em dez ou quinze anos já teremos muitas aplicações para essas células com resultados comprovados. Principalmente no Brasil, onde as pesquisas são mais liberadas, é possível que existam boas possibilidades'', garante.
Por esse motivo, ele apóia o armazenamento de células-tronco do cordão umbilical. ''O ideal é que no futuro tenhamos bancos de cordão como temos de medula óssea para que pessoas que necessitem desse material possam encontrar alguém compatível. Inclusive o laser pode ser usado com as células-tronco do cordão umbilical'', afirma. (Herika Fondazzi)


