No próximo dia 8, as mulheres têm muito o que comemorar. Elas já são maioria nas universidades, estão conquistando o mercado de trabalho e alcançando postos de chefias. Há também as conquistas na área social, com maior liberdade sexual e de expressão, sem falar nos cargos públicos eletivos que elas têm assumido.
Mas o Dia Internacional da Mulher também será de tristeza para milhares de esposas, namoradas, filhas e companheiras que são vítimas da violência. Estimativas mostram que a cada 15 segundos, uma mulher é agredida, e a cada quatro minutos uma é espancada no Brasil. Só em Londrina, no ano passado, o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) registrou 348 novos casos.
Segundo a Secretária Municipal da Mulher, Maria José Barbosa, a maior parte dos crimes é de violência emocional, seguido dos casos de violência física. ''Desde novembro de 2005, temos o número 180 para receber denúncias por telefone. Muitas mulheres ligam para contar que o marido tem uma amante e faz questão de deixar isso bem claro para todos, ou então que ele a recrimina ou critica em tudo e ameaça agredi-la. Mas a violência física também é grande'', afirma.
Para apoiar essas mulheres, psicólogos atendem às ligações e tentam convencê-las a procurar ajuda. ''Sabemos que a vítima sofre nove anos, em média, antes de denunciar o agressor. Isso acontece porque, geralmente, ele é o marido e a situação fica difícil para a mulher ao denunciá-lo. O psicólogo tenta quebrar esse círculo de violência e silêncio. Mas muitas vítimas ligam apenas para desabafar e conversar com alguém'', comenta.
O vínculo emocional, a preservação da família, a falta de independência financeira, a situação social e o sentimento de culpa são os grandes responsáveis pela dificuldade de denunciar as agressões. ''Muitas vezes, o agressor é a pessoa mais gentil do mundo na frente dos outros. Como todos o elogiam, a mulher reluta em deixá-lo e passa a acreditar que ela é que não consegue fazer com que o companheiro a ame e respeite'', diz Maria José.
Ela explica que as mulheres que procura o serviço 180 são incentivadas a denunciar o agressor à polícia ou procurar os outros serviços oferecidos pela Secretaria. ''Temos psicólogos, advogados e assistentes sociais para auxiliar as mulheres e também realizamos oficinas para que elas entendam a violência e saibam como lidar com ela e com seus maridos. Também temos o Centro de Oficinas da Mulher, que oferece cursos para desenvolver iniciativas de geração de renda para agredidas ou não'', garante.
Para os casos onde a violência coloca em risco a vida da mulher, a Secretaria tem uma casa abrigo para atendê-la. ''É o Canto de Dália e fica em lugar sigiloso para que os agressores não tenham acesso. Lá as vítimas recebem apoio psicológico, judicial, médico, vacinas para os filhos, documentação, escola e encaminhamento para emprego. As mulheres ficam entre quatro e seis meses na instituição e os filhos também são aceitos. Quando elas saem, há grupos de atendimento e o acompanhamento continua. É muito comum a mulher perdoar o agressor depois de um tempo. A reincidência acontece em 25% dos casos'', afirma.
Diferentemente do que muita gente pensa, os serviços de apoio são procurados por vítimas de todas as classes sociais. ''É claro que as pessoas de camadas econômicas mais baixas não têm vergonha ou receio de denunciar. Em famílias conhecidas ou mais ricas, a separação fica mais difícil. Mas a violência acontece em qualquer classe social'', garante a secretária.
Todas as informações são sigilosas e nenhuma vítima é obrigada a denunciar seu agressor se não se sentir preparada para isso. ''Não somos polícia, só ajudamos quem nos procura. Apenas quando os filhos também sofrem agressões é que temos a obrigação de comunicar o Conselho Tutelar. Nosso objetivo é mostrar que a mulher não está sozinha e que existe uma possibilidade de acabar com a violência e começar uma nova vida'', completa.

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