Um papel em branco e uma caixa de lápis de cor na mão das crianças são a porta de entrada para um mundo de imaginação. Diante destes elementos elas podem ser qualquer coisa e usar os desenhos para reforçar as histórias criadas nas brincadeiras. Árvores, planetas, castelos, monstros, casinhas, super-heróis, animais, flores... tudo isso pode ser retratado nos desenhos. A estrutura familiar também é comumente desenhada e uma brincadeira que parece simples e inocente é na verdade repleta de significados e importância.

É no desenho que a criança encontra a primeira oportunidade de expressar seus sentimentos. "Crianças com até dois anos de idade riscam o papel, colocam o giz de cera na boca, riscam a parede. Isso mostra que elas não têm noção do que é o desenho e dos limites do papel", explica Cláudia Brito, formada em artes e ilustradora de livros infantis da Editora Maxprint. Aos 3 e 4 anos a criança passa a fazer tentativas de desenhar a figura humana - nesta fase ela já começa a trazer para o papel o mundo em que vive.

O desenho da criança vai mudando conforme ela cresce. Entre os 4 e 5 anos é possível perceber algum domínio da cor e entre 7 e 8 anos os desenhos ganham detalhes e se tornam mais próximos da realidade. "Os adolescentes são mais críticos, acham os próprios desenhos feios e é nesta fase que eles geralmente param de desenhar", comenta. De acordo com Cláudia, a participação dos pais neste momento é muito importante. "Uma criança ou adolescente que recebe incentivo e conhece os materiais disponíveis é altamente mais criativa", diz a ilustradora. Ela adverte, porém, que os adultos devem tomar muito cuidado com as críticas. "A atividade de desenho livre tem a função de soltar a expressão da criança e críticas podem impor limitações."

A professora de educação artística Daniela Pullin de Araujo Guarda tem 20 anos de experiência com crianças e adultos que querem aprender mais sobre artes. Ela explica que a maioria das famílias que buscam este tipo de atividade valorizam a criatividade e a expressão individual das crianças. De acordo com ela, são poucas as crianças que buscam a aula de desenho para aperfeiçoar uma habilidade já dominada, a maioria se matricula para despertar o gosto pela arte.

O direcionamento dos desenhos pode ser feito dependendo da idade do aluno. "Quando a criança é pequena eu não interfiro nas cores usadas e nem na forma do desenho, mas se um aluno de 12 anos pintar o céu de verde, por exemplo, eu busco entender o motivo daquela expressão. Se ele optou pela cor por simplesmente gostar dela não tem problema, mas em alguns casos pode ter um significado mais profundo", explica.

Por volta dos 10 anos, Daniela comenta que a criança começa a se incomodar com os próprios traços. "Quando a criança me procura para perguntar porque seu desenho está torto ou desproporcional eu começo a ensinar as técnicas de desenho. Se eu já apresentar as técnicas para uma criança de 6 anos pode ser que ela fique presa a isso e nunca crie nada por conta própria", salienta. Por este motivo, a única técnica ensinada aos alunos mais novos é em relação aos materiais mais adequados para cada situação. Isso, de acordo com Daniela, é o suficiente para que as crianças desenvolvam suas habilidades individuais.

Imagem ilustrativa da imagem Lápis, papel e imaginação
| Foto: Lis Sayuri
Os irmãos Pietro, de 7 anos, e Lucca, de 9, fazem curso de desenho desde bem pequenos: criatividade e autoconfiança



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