Todos os dias, pontualmente às 7h30, Paola Vidotti Casemiro, 23 anos, se apressa em deixar o filho Lorenzo, 2 anos, aos cuidados da mãe, Cristina, que reserva a manhã inteira para se dedicar ao neto.
Com a missão cumprida, Paola segue para o escritório. Esta foi a solução que a advogada encontrou para conciliar a vida profissional com a maternidade, sem ter de deixar o filho na escolinha ou com uma babá.
''Sempre disse que enquanto eu puder contar com minha mãe, o Lorenzo não iria para o berçário e nem seria cuidado por uma babá. Desde os três meses, deixo ele com a avó e eu fico muito mais tranquila em saber que meu filho está crescendo em uma ambiente familiar'', diz Paola, que engravidou aos 21 anos, enquanto ainda cursava Direito.
Para ela, ter uma pessoa de confiança com Lorenzo é sinônimo de tranquilidade e afeto. ''Nessa idade, a criança precisa de atenção e carinho exclusivos. Quando isso vem da avó, fica melhor ainda'', afirma.
Até a modelo Gisele Bundchen, que retomou a rotina de viagens e sessões fotográficas, admite não deixar o pequeno Benjamin, de seis meses, com babá. Em algumas entrevistas, ela revela que sempre recorre à mãe, quando não pode estar o tempo todo ao lado do filho. ''Que tem uma supermãe como a minha, não precisa de babá'', afirmou a top em sua recente viagem ao Brasil para desfilar na São Paulo Fashion Week.
Privilégio
A psicóloga clínica e escolar, Kellen Escaraboto Fernandes, especialista em Psicologia Clínica Comportamental e Educação Especial observa que a prática de deixar o filho com a avó é um privilégio para poucas mães, uma vez que no contexto atual, muitas avós também trabalham e não são todas as mães que moram perto de sua família de origem.
''Não existe escolha mais adequada entre deixar o filho na escolinha, com a babá ou avó, pois é preciso verificar o que se adequa melhor à realidade de cada família, mas o que as mães precisam levar em consideração é a idade da criança'', comenta.
Segundo ela, nos primeiros meses de vida, os bebês podem ser muito beneficiados com a presença diária da avó, mas, à medida que crescem (a partir dos dois anos), principalmente quando são filhos únicos, precisam se relacionar com outras crianças, para que tenham um desenvolvimento socioemocional adequado. ''Neste contexto, a escola pode se tornar uma boa alternativa'', observa.
Mimos de avó
Questionada se a avó realmente ''estraga'' o neto, Paola não hesita em responder que sim. ''Tudo o que eu não permitiria que Lorenzo fizesse, ela permite. Além disso, deixa ele comer um monte de porcarias'', diz, com olhar suspeito para a mãe, que se apressa em responder: ''Mas eu educo também, viu?'', conta, aos risos.
Para a especialista, esse é um ponto que precisa ser esclarecido. Segundo ela, as mães devem entender que babás, enfermeiras e familiares funcionam como um apoio, mas não são responsáveis pela vida e educação das crianças. ''Independentemente do fato de ser a avó quem cuida da criança, enquanto os pais trabalham, tem de ficar muito claro que a responsabilidade ainda é dos pais'', ressalta.
Kellen ainda aponta que os pais tem de cuidar para que a avó entenda que a criança precisa de regras e limites. De acordo com a psicóloga, geralmente os os avós perdem ou deixam de exercer essa função porque entendem que já criaram os filhos e agora precisam e podem curtir os netos.
''Quando a avó assume a responsabilidade de cuidar da criança precisa entender que não está assumindo as responsabilidades dos pais e, sim, que precisa tratar a criança sem desautorizar os reais responsáveis por ela. Quando pais e avós atuam em sintonia, entendendo que a prioridade é a educação da criança, as coisas ficam mais fáceis'', analisa.
Aos cuidados da prima
Na casa da família Zanon, quem fica de olho nas pequenas Letícia, 7 anos, Maria Eduarda, 4, e Bárbara, 11 meses, é a Adrieli Caroline Campos, sobrinha de Sandra.
''Eu e meu marido ficamos fora praticamente o dia todo. Na hora do almoço, fazemos questão de voltar para casa e almoçar em família'', diz Sandra, que descartou a ideia de contratar uma babá por questões de confiança e ''porque quando a pessoa é da família, fica tudo mais fácil, até o diálogo'', ressalta.
Enquanto Caroline brincava com as meninas, Sandra observa que em determinadas situações, as filhas preferem os cuidados da sobrinha. ''Dou liberdade para ela ensinar muitas coisas às meninas, mas a tarefa da escola e nos momentos em que estou em casa, faço questão de fazer tudo'', diz.
A psicóloga explica que é normal a criança ter preferências, e os pais, ciúme, mas diz que esta palavra não pode ser traduzida em culpa. Ela afirma que muitos pais sentem-se culpados por ficarem longe de seus filhos e acabam sendo permissivos, acreditando que isso pode facilitar a condição da aproximação com a criança.
''Penso que um outro problema é a competição que pode se desencadear diante dessa situação, o que não é bom para a criança. As mães têm de entender que a forma mais adequada de aplacar esse sentimento é ficando com o filho e cumprindo sua real função, mesmo que por períodos mais curtos'', orienta.



Babá x escola: como avaliar?
De acordo com a psicóloga Kellen Escaraboto Fernandes, quando não existe a possibilidade de deixar a criança com algum familiar, a mãe deve considerar a seguinte avaliação ao:
1. Contratar uma babá: buscar por referências pessoais ou em boas agências. Uma outra questão interessante é ficar durante alguns dias em casa com a babá para conhecer seu trabalho ou pedir para alguém de sua confiança para fazê-lo. É muito importante que a pessoa conheça a rotina da criança e da casa, bem como os hábitos e o posicionamento dos pais diante de algumas situações. É válido até chegar em casa em horários alternados, sem avisar, para se certificar que o filho está sendo bem cuidado.
2. Optar por um berçário: ao escolher o berçário, o mesmo cuidado precisa ser tomado. Vá até a escola, conheça-a enquanto os alunos estão presentes, informe-se sobre a rotina e sobre o nível de formação dos profissionais que atuam junto à criança. Uma boa escola é aquela que está sempre de portas abertas para o momento em que a família deseja ver a criança. Outros cuidados extremamente importantes estão correlacionados à higiene e segurança da escola, além de uma proposta curricular adequada à faixa etária e ao nível de desenvolvimento da criança.

mockup