Rosângela Vale
Evolução. Talvez essa seja a melhor palavra para definir a terceira edição do concurso Novos Talentos da Moda Paranaense, que aconteceu na última segunda-feira, no Pavilhão de Exposições Francisco Feio Ribeiro, em Maringá. A começar pelo espaço físico da sala de desfiles - cadeiras numeradas, espaço reservado a fotógrafos, passarela e fundo brancos - tudo indicava o profissionalismo que viria a seguir. A escolha do júri também foi feliz, pois reuniu personalidades da área: a pesquisadora de moda Cristiane Mesquita, o professor de história da indumentária João Braga, a diretora da Fenit, Vivi Haydu, o consultor e editor de moda Marcondes Tavares e a jornalista Carol Garcia.
Inspiradas na lenda das Cataratas do Iguaçu (leia box), as 11 criações finalistas apresentaram propostas interessantes e, em algumas delas, foi possível vislumbrar o potencial de futuros profissionais de moda. Confeccionistas locais já deveriam ficar de olho neles. É o caso da vencedora Marina Única Diaz Moralez, professora de desenho do Senac de Londrina e pós- graduada em moda, que recebeu como prêmio uma viagem a Paris e R$ 1 mil.
Com um modelo em silicone moldado ao corpo, envolto por fios de seda, e um ornamento de cabeça em rede de macramê, Marina conseguiu traduzir a lenda com modernidade e ousadia. ‘‘Achei muito sensível o trabalho dela, é de uma fragilidade que deu todo o encantamento. A mistura de materiais é muito harmoniosa’’, elogia Cristiane Mesquita.
O segundo lugar ficou com o ‘‘Balé das Águas Paranaenses’’, de Roseni Furlan, de Nova Esperança, aluna do curso de moda do Cesumar, que ganhou uma semana em Nova York e R$ 500,00. O vestido foi inteiramente confeccionado com fios de barbante tingidos em tons azul degradê, um trabalho minuncioso que resultou num belíssimo visual, mas que beira uma caricatura indígena americana. Como proposta de criação de moda, portanto, deixa a desejar.
Mais convincente é a ‘‘Naipi Guerreira’’ de Aparecida Capelini Suzuki, aluna do terceiro ano de Estilismo em Moda da UEL, terceira colocada no concurso. Ela apresentou um vestido em material sintético com rasgos laterais, véu em fios de náilon, cobrindo os ombros e a cabeça, e sandálias em isopor, mas de aparência pesada.
Outras propostas também chamaram atenção pela originalidade e perfeita execução, como os vestidos sobrepostos de Cristiane Modesto Ruiz, representando a terra rachada invadida pelas águas. ‘‘Ela trabalhou bem com o brim, que é um tecido muito usado pelas indústrias de confecção do Paranᒒ, observa Carol Garcia, que destaca ainda o body de cartões postais das Cataratas do Iguaçu na criação de Mauro Marcos Martins Costa. ‘‘É uma peça supervendável, poderia entrar na prancheta de qualquer indústria’’, diz.
Vivi Haydu também elogia o trabalho de Cristiane Modesto. ‘‘Você percebe que é uma criadora que pode estar desenvolvendo um bom trabalho no dia-a-dia’’, avalia, citando também as propostas de Caroline Macedo, que usou organza de seda molhada, e Maria Cristina Martins Agostinho, que criou top plissado e saias sobrepostas com rasgos circulares, uma alusão à tragédia da lenda e às gotas d’água.
De acordo com Vivi Haydu, a escolha do tema - folclórico demais - dificultou um pouco a avaliação. ‘‘Ficou difícil imaginar o que esses criadores estarão fazendo no futuro. Talvez eles poderiam ser mais aproveitados pelos confeccionistas se o tema fosse mais prático. Mas deu para perceber que há conteúdo’’, salienta.

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