Kyoto reúne todos os encantos do Japão
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Tiago Queiroz<br>Agência Estado 
Kyoto - São menos de oito horas da manhã em Kyoto. O sono caminha tranquilo para o despertar. Deitado no tatame de uma ryokan, o hotel tradicional japonês, ouço um cântico ao longe. O mantra entoado por vozes difusas parece estar cada vez mais perto. A preguiça é vencida pela curiosidade e me levanto. Da janela da casa quase centenária, observo a dona da hospedagem e homens vestidos com macacão azul marinho, chapéu de palha e chinelos. São monges mendigos que saem pelas ruas de manhã pedindo contribuições. A senhora os trata com carinho. Tira algumas moedas do avental e dá para cada um deles.
A cena resume bem o que é viajar pelo Japão. Para um fotógrafo, como eu, um prato cheio: em 24 dias, foram mais de 3 mil fotos. E Kyoto é a cidade que reúne de forma mais abrangente tudo que emociona no país.
Castelos seculares preservados, um centro vibrante (onde carros luxuosos e lojas de grife convivem em harmonia com bicicletas), mercados tradicionais com exóticas comidas (para olhos e estômagos brasileiros, é claro).
Gion, o bairro das gueixas, fervilha à noite. Turistas e locais misturam-se nas suas ruas escuras e de casas centenárias de madeira. O clima de mistério é acentuado pelos néons nas fachadas das casas onde as mulheres se apresentam - em muitas delas, apenas um público seleto pode entrar. Difícil é conseguir fotografá-las pelas ruas em seus trajes. Discretas, elas preferem evitar as lentes.
Do profano ao sagrado
Com mais de mil anos de história, Kyoto foi a capital do país durante vários períodos históricos. Mas não é só por isso que ela é tão querida pelos japoneses. Eles costumam visitá-la ao menos uma vez na vida, como se fosse uma espécie de Meca. Pudera. A cidade concentra mais de 1.600 templos, a maioria budistas e xintoístas, o que faz dela rota de peregrinos. Boa parte de seus monumentos é também tombada pela Unesco.
As excursões estão por todos os lados. Estudantes de uniformes impecáveis: meninos de terno e gravata, meninas de saias plissadas e meias soquete. Grupos de terceira idade, em filas organizadas. Para quem não vai necessariamente movido pela fé, são os belos jardins, cuidados com perfeição, e a arquitetura que impressionam. Por mais que você dispare sua câmera fotográfica, é difícil transmitir aquilo que sentimos quando estamos lá. Palavra de fotógrafo.


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