São Paulo - Domesticados há mais de 10 mil anos, os gatos atravessaram
gerações sofrendo preconceito. Mesmo depois de séculos, os estereótipos ainda
resistem ao tempo e são reforçados pela ficção, sobretudo no cinema.
Garfield, por exemplo, saiu das tirinhas sarcásticas de Jim Davis para, em 2008,
exibir a fama de preguiçoso e interesseiro do bichano nas telas. Sem falar nos gatos
pretos, coadjuvantes obrigatórios dos filmes de bruxas, que se aproveitam do mito
de animal misterioso sustentado por culturas ancestrais.
Com a ajuda de especialistas, saímos em defesa dos bichanos que, no mês
passado, foram novamente acusados, ainda que em tom de brincadeira. Padre
Marcelo Rossi, em uma missa transmitida pela televisão, no início do mês, afirmou
que não gosta dos felinos, porque eles são traiçoeiros. ''Foi brincadeira'', justificou
ele. Mas a polêmica já estava armada.
Veterinário e autor do livro ''O Segredo dos Gatos'' (Ed. Globo), Alexandre Rossi
explica que são esses conceitos errados que tanto abrem precedentes para o
abandono e maus-tratos de determinados animais. ''No Brasil, há uma cultura
horrível de fazer brincadeiras de mau gosto com gatos.''

É mentira!


Gatos são frios, interesseiros e incapazes de dar carinho ao dono. Mito, mito e
mito. ''O isolamento é um comportamento natural dos gatos, o mesmo acontece
também com a onça'', explica o veterinário Fabrício Lorenzini, da Universidade
Anhembi Morumbi. Também não são preguiçosos como Garfield. Basta observá-los à
noite. ''Eles precisam dormir de 16 a 18 horas por dia. Seus hábitos são noturnos'',
completa ele.
E se disserem ainda que gato não toma banho, desacredite. ''Gato gosta de água,
mas depende como você vai colocá-lo debaixo dela. É um animal obcecado pelo
controle de território. Ele fará de tudo para sair de situações que o deixem
assustado ou agressivo. Até arranhar uma pessoa. Mas aí já não é culpa dele'', diz
Alexandre Rossi.
Já sobre a fama de mau, não tenha medo se seu gato começar a emitir barulhos
fantasmagóricos durante a noite. Segundo o especialista, isso faz muita gente ter
medo de gato. Mas são ruídos comuns, mais ainda quando os animais estão no cio.
Para Rossi, a pior injustiça que você pode cometer com um bichano é compará-lo a
um cão. ''São animais de comportamentos muito diferentes'', diz. ''Mas a tendência
é que os brasileiros tenham mais gatos do que cachorro de estimação. Isso já
ocorre nos EUA e na Europa. É um bicho muito prático e é, sim, carinhoso'', diz.
Ainda bem. Afinal, só convivendo com um gato para conhecê-lo de verdade.

Imagem ilustrativa da imagem Justiça aos gatos