Juntos na dança
Tem gente que sabe como espantar a rotina. Há casais que têm um dia da semana para namorar - deixam os filhos bem seguros com parentes ou amigos - e reservam algumas horas para devolver o romantismo à relação. Alguns escolhem um jantar romântico, outros preferem jogar boliche ou ir ao cinema e depois, um motel. O importante é arejar o casamento e jogar mais lenha na fogueira da antiga paixão.
Um grupo animado escolheu a dança como diversão e, para espantar a monotonia, frequenta aulas de danças de salão numa das importantes academias de Maringá. O professor de Educação Física Lúcio Flaubert, que tem especialização em dança na França e na Inglaterra, torna inesquecíveis as noites de muitos casais em aulas com duas horas de duração.
O professor prepara o ambiente, coloca luzes coloridas e ritmos calientes, criando uma atmosfera envolvente para demonstrar como se dança uma série de ritmos internacionais. Orienta os alunos sobre a técnica e a história dessas danças e ainda descontrai os de cintura mais dura.
Dançar relaxa, ensina a sentir o próprio corpo e o do parceiro. Aproxima e dá até um novo sentido à relação de casais que caíram na rotina, afirma Flaubert. A técnica é importante, mas é consequência do sentir-se, do conhecer-se. Muitos dançam de olhos fechados, desligando temporariamente a visão e aumentando a sensibilidade, diz Lúcio Flaubert.
Como em alguns estilos de dança há uma espécie de machismo, o professor adverte: Mesmo quando o estilo exige que o homem conduza a mulher, existe um diálogo do corpo, e a mulher só se deixa conduzir se quiser.
Segundo o professor, há maridos que chegam arrastados, e depois acabam adorando dançar e fazem da aula um programa de sexta-feira à noite. É um dia que esperamos com prazer e depois da aula sempre damos uma esticadinha, diz a professora de inglês Marcia Leme. Ela e o marido, Marco Antonio de Moraes Leme, querem aprender a dançar tango. Quando estivermos craques, vamos curtir nossa segunda lua-de-mel em Buenos Aires, conta Marcia Leme, casada há 20 anos. A gente se produz mais para ir à aula. E até bailes de formatura, que eu não gostava, passei a frequentar só para poder dançar com ela, diz Marco Antonio. Segundo Marcia, até os filhos estão notando a cumplicidade dos pais quando eles ensaiam alguns passinhos em casa.
Como dois namorados, o casal Ricardo e Miriam Yamaguchi afirma que aprender a dançar é um preparativo.Estamos querendo dançar bem para sair mais à noite. Não tem coisa mais chata do que chá-de-cadeira, diz ela. A dança é envolvente e a gente até se esquece que chega à aula cansado do trabalho, conta Ricardo, que adora dançar de rosto colado com a esposa. Míriam afirma que às sextas-feiras, o marido passou a chegar mais cedo em casa para dar tempo de ir dançar.
O professor Lucio Flaubert diz que, dançando, os casais ficam até mais gentis e alguns param com o jogo de culpa. Em situações que, normalmente, se dá uma disputa de poder, dançando os casais se respeitam mais. E as frases do tipo Não disse que era do meu jeito? acabam sendo ditas só em tom de brincadeira. E explica qual é o milagre: É que, dançando, eles deixam aberta uma pequena porta para a sedução mútua e o respeito. Assim, a aproximação é inevitável, garante Flaubert.





