Jovens economistas
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quinta-feira, 15 de maio de 2003
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Nos próximos sete meses, cerca de 50 adolescentes entre 11 a 16 anos irão participar das duas primeiras turmas do curso de Educação Financeira do Centro de Treinamento Administrativo (CTA) do Sesc. A aula inaugural aconteceu esta semana em Londrina e teve a participação de Danielle Junges, idealizadora e coordenadora do curso.
Com uma filha de oito anos, Danielle sente na pele o que é ter um pequeno consumidor em casa. ''Ela e as amigas já formam uma panelinha e todas querem ter as mesmas coisas'', lembra. Mas foi depois de ler o livro Pai Rico, Pai Pobre com olhos de educadora é que percebeu que poderia trazer os ensinamentos para a realidade brasileira. ''O livro é americanizado'', explica.
No ano passado, com o acompanhamento de Alice Dias, chefe do departamento de psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Danielle montou uma turma piloto do curso com os primeiros 18 alunos. Este ano, as aulas de educação financeira também estão acontecendo em outras seis cidades brasileiras.
De acordo com a coordenadora, o curso é dividido em duas partes, a de comportamento e a financeira. ''Mas isso não quer dizer que elas são separadas. Dinheiro é comportamento'', avisa. Na primeira aula, os londrinenses descobriram que terão pela frente 54 encontros duas aulas semanais de uma hora e meia cada , divididos em sete módulos. O primeiro trata justamente do relacionamento pessoal.
''O curso cria um paralelo do que se vê em sala de aula com o que acontece no mundo real'', explica a coordenadora. Durante o curso, estão programadas cinco excursões. A primeira delas deve acontecer nos próximos dias e vai levar os alunos para o supermercado. Cada um vai planejar uma lista de compras para a família, e no supermercado vai descobrir se o orçamento permite só o necessário ou também os supérfluos.
As outras excursões são para um banco, uma franquia de lanchonete, loja de eletrodomésticos e no final do curso, uma visita à Bolsa de Valores de São Paulo. Até lá, todos já vão terão aprendido tudo o que é ativo o que coloca dinheiro no bolso e passivo que tira o dinheiro. ''Costumo brincar que agora os alunos são os passivos dos pais'', diz Danielle.
Mas se depender da animação de alunos como Rodrigo Scanavacca, 15 anos, Guilherme Ferrari, 15 e Pedro Piazzalunga, 14, logo estarão pra lá de ativos. ''Nós vamos ser sócios numa empresa de ganhar dinheiro'', garantem Rodrigo e Guilherme. Os três não ganham mais mesada. ''A gente guardava tudo e não gastava'', contam. ''Se eu precisava de alguma coisa, saía com a minha mãe'', lembra Guilherme, que há um ano ganhou uma poupança de presente e sempre que pode faz depósitos. ''É legal saber que a gente tem dinheiro'', conta.
Agora os três ganham dinheiro só quando vão sair no final de semana. ''Até que é suficiente'', diz Rodrigo. O trio conta que foi fazer o curso por vontade própria. ''Vim testar meus conhecimentos'', completa Rodrigo. Ele e o amigo Guilherme já têm certa experiência com as finanças.
''A gente leva almofadas para o colégio e empresta para os colegas. Depois que o cara sente que a cadeira ficou mais dura e pede de volta e aí a gente aluga'', contam os prósperos empresários. n


