Jovem demais para escolher
VESTIBULAR Jovem demais para escolher Definir a profissão desejada aos 16 e 17 anos é uma tarefa difícil para os jovens que estão terminando o Ensino Médio e vão prestar o vestibular Arquivo FolhaPor questões financeiras, muitos pais incentivam o filho a escolher um curso que tem na universidade local, diz a psicóloga Simone Oliani Celso Mattos Medicina ou Fisioterapia? Desenho Industrial ou Ciência da Computação? Que curso escolher? As inscrições para o vestibular da Universidade Estadual de Londrina começam em abril e muitos candidatos ainda não sabem que profissão desejam seguir. Este é um dilema que está se tornando cada vez mais comum por dois motivos: os jovens estão entrando na universidade mais cedo e o leque de profissões tem se ampliado com a evolução da informática, deixando os estudantes ainda mais indecisos sobre o futuro. Estudos recentes mostram que a maturação do cérebro começa entre 20 e 23 anos, entretanto, o jovem precisa decidir sobre sua vida aos 16 e 17 anos, informa a psicóloga Simone Oliani, do Instituto de Psicoterapia e Análise do Comportamento (PsicC), que atua na área de orientação profissional. Segundo ela, sem maturidade para fazer uma escolha tão importante, o jovem acaba optando pelo curso da moda. Já tivemos o boom da Medicina e da Fisioterapia, e agora temos o boom do Jornalismo e do Turismo. Antes, o jovem sabia, pelo menos, se queria um curso da área humana, biológica ou exata, hoje, nem isso ele sabe. Muitos dizem que estão em dúvida entre Medicina e Direito, exemplifica. Simone Oliani ressalta que essa indefinição de área tem um lado positivo. A nova lei de Diretrizes e Bases da Educação privilegia a interdisciplinaridade. Além disso, a atuação profissional está mais democrática. Atualmente pode-se cursar Psicologia e fazer uma pós-graduação em Marketing, uma coisa depende da outra. Para ser um bom marqueteiro é preciso entender de psicologia. Pressões Segundo Simone Oliani, a única pergunta que o jovem deve fazer antes de escolher uma profissão é: O que eu gosto de fazer? A psicóloga lembra que o profissional de sucesso é aquele que trabalha com prazer. Não se deve fazer uma escolha pensando no dinheiro e, muito menos, para atender as expectativas dos pais. Além de jovens, eu atendo profissionais que, apesar de estarem há cinco anos no mercado de trabalho, querem repensar sua opção profissional. Com o retorno do vestibular de julho na UEL, muitos jovens são pressionados a escolher a profissão antes de terminar o Ensino Médio. Se não bastasse isso, por uma questão financeira, eles são pressionados a passar em uma universidade estadual ou federal. A psicóloga lembra ainda que existem pais que incentivam o filho a escolher um curso que tem na universidade local para que ele não precise sair de casa, o que resultará em menos gastos. Existe também aquele jovem que escolhe, de propósito, um curso que não tem em Londrina, justamente porque quer sair de casa e viver sozinho. Todas essas pressões, associadas à falta de maturidade acabam levando a uma decisão equivocada. Uma forma de evitar esse problema é entrar num programa de orientação profissional o mais cedo possível. O ideal é fazer isso antes de ingressar no terceiro ano do colegial porque a pressão pela escolha ainda não começou, recomenda a psicóloga. A Clínica Psicológica da Universidade Estadual de Londrina conta com o projeto Orientação Vocacional, coordenado pela professora e psicóloga Maria de Fátima Sella. As inscrições podem ser feitas por telefone, mas como existe muita procura, é preciso aguardar o surgimento de vagas. O estudante paga apenas uma taxa simbólica, que pode ser a doação de brinquedos ou material de escritório para a Clínica. A duração do programa é de dois meses e meio, com atendimento individual ou em grupo. Serviço: PsicC Instituto de Psicoterapia e Análise do Comportamento, fone (43) 324-4740 e Clínica Psicológica da UEL, fone (43) 371-4237. Como os pais podem ajudar Eles não devem fazer pressão do tipo: Seu amigo já escolheu e você não Os pais devem fornecer o máximo de informações sobre a profissão que o filho está mais propenso a escolher, mas sem dar palpites Coloque-o em contato com um profissional que já está atuando na área para que ele possa tirar dúvidas Leve-o para visitar empresas e ver o dia-a-dia das pessoas que trabalham naquela profissão Explique que o sucesso profissional não está apenas na graduação. Se ele quer fazer Agronomia, mas não gosta de trabalhar no campo, ele pode fazer mestrado e ser professor ou pesquisador Se ele quer fazer Arquitetura, mas tem dificuldade em desenhar, isso não chega a ser um problema porque técnica se aprende. O importante é gostar. A prova disso é que as provas de habilidades específicas nos vestibulares estão sendo questionadas. Já no próximo vestibular da UEL, elas deixam de ser eliminatórias para ser classificatórias Explique que, atualmente, as profissões estão mais diversificadas, possibilitando diferentes tipos de atuações no mercado de trabalho.





