Jóias da natureza
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Sementes de plantas, caroços de alimentos, cascas de árvores, folhas, palha, enfim, tudo o que vem da natureza e na maioria das vezes é dispensado na cozinha ou se perde pelo chão quando cai das árvores, pode ser aproveitado e transformado em bijuteria ou mesmo em peças de decoração e artigos para presente. O aproveitamento dos produtos vai depender da criatividade do artesão. No caso das bijuterias, o trabalho mais conhecido como biojóia é muito divulgado na região Norte do País, mas aqui mesmo, no Norte do Paraná, começa a ganhar espaço com a dedicação da artesã Márcia Pushel Rebequi.
O artesanato entrou por acaso na vida de Márcia. Há dez anos, Arthur, o filho caçula, na época com apenas seis anos, trouxe da rua uma pequena semente vermelha, conhecida como ''olho-de-cabra'' e presenteou a mãe, sugerindo que ela fizesse um colar. ''Acho que a cor vermelha chamou a atenção dele'', afirmou a mãe, que atendeu ao pedido do filho e fez da sementinha, vinda do serrado brasileiro, o primeiro acessório, utilizando um pequeno alicate de unha.
Com o colar que ela guarda até hoje, Márcia teve a idéia de criar novas peças. As primeiras eram bem simples, mas, com o tempo, a artesã, que vive com a família numa chácara em Rolândia (25 Km a oeste de Londrina), foi se aprimorando e criando peças mais elaboradas. O próprio quintal da casa tornou-se fonte de matéria-prima. Das árvores nascidas ali, ela tira boa parte das sementes e cascas utilizadas na confecção das peças. ''Você vai se aprimorando e acaba se tornando um crítico dentro da sua própria arte'', afirma Márcia, que até hoje mantém um trabalho autodidata.
O trabalho se expandiu com ajuda de toda a família e dos amigos, que também separam sementes em casa e enviam direto para o atelier da artesã, mantido num dos cômodos da casa onde vive a família. A maior parte é de sementes dispensadas na cozinha que, depois de secas e preparadas, ganham destaque nas bijuterias.
A cidade onde vive a família, bastante arborizada, complementa o material de trabalho necessário da artesã. Durante os passeios pelas ruas de Rolândia, eles recolhem do chão as sementes que serão utilizadas na fabricação de colares, pulseiras, brincos e anéis. ''A gente acaba ficando com um olho clínico. Percebe que tudo pode ser aproveitado''. O restante, sementes vindas da Amazônia, ela compra direto de um fornecedor.
As bijuterias têm sementes de ameixa, café, soja, tamarindo, além de cascas, cravinho da índia, entre outras. Tudo pode ser aproveitado, não só nas bijuterias, mas também nos quadros, mandalas, convites e caixas decoradas para abrigar acessórios. O trabalho é complementado com madeira MDF e juta, que tornam as peças mais rústicas, apesar do acabamento delicado.
As biojóias como são conhecidas peças semelhantes às suas no Norte do País, são bijuterias rústicas, mas com acabamento delicado. ''É esse acabamento mais fino que dá às sementes um tratamento de jóia'', explica. Outro detalhe é a preocupação com a preservação da natureza. ''Recolhemos apenas as sementes que caíram no chão. Temos a preocupação em resgatar e preservar a natureza''.
A produção não é feita em grande escala, até mesmo porque cada peça é única. Em média, são fabricadas entre 150 e 200 peças por mês. Tudo vai depender de onde a artesã vai expôr seu trabalho. ''Se vou participar de uma grande feira na região, faço entre 300 e 350 peças''.
Os produtos da artesã, comercializados em Londrina e região, já foram enviados informalmente para a Suíça, Alemanha e Itália, através de conhecidos que compraram as peças. ''Até agora não pensamos em exportar, mas sabemos que nosso produto tem grande aceitação no exterior. Os estrangeiros de se encantam com essas bijuterias''.
Serviço: Telefone 9102-7467/site [email protected]


