Chega de Larissa, Jéssica e Anderson. Nada mais de Camilly Victória. O ranking dos cartórios comprova: João e Maria foram os grandes campeões de registros de bebês brasileiros em 2004. Ou seja, os nomes simples e tradicionais estão de volta à moda.
Segundo a empresa Certifixe, que reúne dados de 24 cartórios de vários estados do País, a dupla encabeça a lista dos nomes preferidos pelos pais brasileiros, seguida por outros nomes de santos e anjos, como Ana, Gabriel, Lucas e Pedro, que estavam sumidos há duas décadas.
Sem conhecer as estatísticas, os artistas vêm seguindo a moda. Os apresentadores Angélica e Luciano Huck são pais de Joaquim, nome meio esquecido há até pouco tempo. Os atores Nívea Stelmann e Mário Frias batizaram o filho de Miguel. A atriz Glória Pires e o cantor Orlando Moraes estão na moda tradicional há muito tempo: já trouxeram ao mundo Antônia, Ana e Bento. A atriz não podia imaginar que este seria o nome do papa Bento XVI, que agora deve inspirar muitos pais e entrar na lista dos preferidos.
''Hoje, nomes simples estão em alta. Eles entram e saem de moda porque se esgotam, cansam. Escolher o nome de alguém está ligado à expectativa de inserção social da criança e a movimentos ideológicos'', diz o professor de Linguística da PUC, Bruno Dallari.
Há mais de 50 anos, o antropólogo Gilberto Freyre dizia o mesmo no livro 'Interpretação do Brasil': ''Os brasileiros têm uma maneira especial de exprimir as inclinações políticas ou ideológicas: através dos nomes com que batizam os filhos.''
Santos e índiosDá para se pensar até em contar a história do País acompanhando as ondas de nomes. Segundo Freyre, primeiro eram só nomes de santos. Como movimento de independência, crianças ganharam nomes de índio. E com a chegada da República começaram a aparecer os nomes estrangeiros, vindos de heróis da história dos Estados Unidos e da Inglaterra, fenômeno que se repetiu logo depois da 1 Guerra Mundial.
Mais recentemente, um movimento cultural muito louco trouxe uma onda de nomes tão doidos quanto. ''Nos anos 70, os hippies escolheram para os filhos nomes exóticos, ligados natureza e ao místico'', diz professora de biblioteconomia da USP e autora de 'O Livro dos Nome's, Regina Obata.
Daí vêm os nomes inventados pela cantora Baby do Brasil: Nana Shara, Zabelê e Riroca, que, por causa da rima perigosa, trocou seu nome para Sarah Sheeva.
A cantora Preta Gil também sofreu com o nome quando era pequena, mas diz que poderia ter sido pior. ''Meu irmão era Pedro, e meu pai (o ministro Gilberto Gil) quis me dar o nome de Pedra. Ainda bem que minha mãe fez ele desistir da idéia.''
O nome Preta também quase foi descartado. ''O homem do cartório não quis aceitar. Eu tinha que ter um nome católico, então virei Preta Maria.'' Hoje, ela adora o seu nome, mas não ousou na hora de batizar o filho, Francisco. ''Lembrei da música do Renato Russo que dizia ''meu filho vai ter nome de santo''.
''Nomes de santo estão em alta, mas outros com grafias inusitadas, como Giovanna e Cauã, ainda se intrometem na lista dos mais registrados. Uma coisa superbrasileira, segundo Regina Obata. ''Outros países têm listas de nomes possíveis, mas aqui temos toda a liberdade. Brasileiro gosta de inventar nome e quem é que vai dizer se está certo ou errado?''
Em 2004, de acordo com a Certifixe, 1.569 Marias foram registradas. O nome Jéssica, que em 1994 ocupava o segundo lugar, hoje, sumiu da lista.

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